
Centro de Porto Alegre: revitalização é tema de debate na campanha
Como era esperado de um jornal que possui em seu quadro editorial profissionais atentos à ética, como o diretor de Redação, Marcelo Rech, de Opinião, Nilson Souza, afora Paulo Sant’Anna, David Coimbra, Ricardo Stefanelli, Diogo Olivier, Dione Khun, Carlos Wagner, Nilson Mariano, Olyr Zavaschi, Mauro Torales, Marcio Pinheiro, entre tantos outros, tinha certeza de que Zero Hora não deixaria de suitar a matéria "A nova cara do centro", com tendência à propaganda eleitoral do prefeito, à medida em que repetia a velha promessa de campanha feita pelo então candidato José Fogaça, em 2004 (veja aqui).
Era inevitável, como reza a norma editorial, que o assunto fosse abordado pelos adversários, concorrentes, pois a matéria publicada em ZH informa em seu início, que "…a Prefeitura de Porto Alegre promete iniciar até dezembro o programa Viva o Centro", que prevê a revitalização da área central da cidade".
Ora, como o segundo turno (que provavelmente ocorra) será realizado no dia 26 de outubro - último domingo daquele mês, conforme determina a regra eleitoral - o atual governo divulgou a inauguração de um programa cujas obras serão executadas pela próxima gestão, que poderá não ser mais de Fogaça.
Por que a atual administração marca o início de uma obra para o último mês de seu mandato quando teve quatro anos para fazê-lo? E logo por quem, na campanha anterior, criticou as obras inacabadas, como a Terceira Perimetral?
Creio que os próprios autores da idéia (divulgar algo que entregarão sem ter a segurança de que serão os executores) afinal se deram conta de que a manobra foi mal feita, uma vez que a divulgação desta ‘novidade’ ocorre em plena campanha eleitoral (a propósito: esqueci de citar a manchete do Diário Gaúcho, da RBS, também do dia 8: "A nova cara do Centro", em que aparece a maquete da futura área do Chalé da Praça XV - e dedicam toda a página 8 ao assunto, que recebeu o título: "Centro será remodelado").
Uma gracinha.
Diário Gaúcho: também da RBS
Pois Zero Hora do dia 8 de agosto, com justeza abriu espaço no rodapé da página 62 para repercutir o assunto com os candidatos. Sob a cartola "Porto Alegre" pode-se ler o título "Candidatos questionam revitalização do Centro". Encontram-se as opiniões de, pela ordem, Onyx Lorenzoni, Maria do Rosário, Manuela D’Ávila, Luciana Genro e Nelson Marchezan Júnior. Um só se omitiu.
Curiosamente - e isso dá o que pensar - o autor evitou debater a própria idéia. Vale a pena reproduzir as linhas finais dessa matéria:
"Procurado ontem por ZH, a coordenação de campanha do prefeito e candidato à reeleição, José Fogaça (PMDB), disse que ele não se manifestaria".
Por que não? Alguém pode justificar a razão que leva o prefeito, ou a sua assessoria, a não explicar a razão de lançar o projeto de revitalizar o Centro e anunciar sua inauguração no último mês dos seus quatro anos de mandato?
Terá sido apenas para não desmentir seu folheto de campanha de 2004, em que o então candidato fazia a mesma promessa aos moradores da região?
Se for por isto, não faltará munição a seus opositores, pois todas as promessas serão questionadas, até porque se o bordão (*) que o elegeu era "fica o que tá bom e muda o que não tá", deveria também mudar a velha forma de fazer política: inaugurar obras em fim de mandato, crítica feita aos governos do PT e que o elegeram prefeito. É propaganda enganosa?
Carroças no Centro: ficou por que é bom?
(*) A propósito de bordões eleitorais, dois já concorrem para o pior do ano:
1) Temos que ter a audácia dos sonhos (de José Fogaça, com audácia inaudita);
2) Dize-me com quem andas e te direi quem és (tiro no pé de Maria do Rosário).
Pelo que se vê, os porto-alegrenses devem tomar todos os cuidados para não morrerem de emoção com o espetáculo das Olimpíadas. Por uma razão: dia 19 de agosto começa o horário eleitoral nos rádios e nas TVs. E o bicho vai pegar.
Muito a propósito: o livro-cartilha, escrito pelo jornalista Gilberto Dimenstein, "Como não ser enganado nas eleições" tem um capítulo intitulado "Mentiras, programas e salvadores da pátria". Ele inicia com os seguintes conselhos:
"Duas simples perguntas podem evitar que você faça papel de bobo quando for apresentado a um plano que promete melhorar sua vida:
1) Quanto custa?
2) De onde sai o dinheiro?
São simples, mas você vai perceber que a maioria dos candidatos não conseguirá responder-lhe direito, quando estiver expondo suas promessas."
A sugestão de Gilberto Dimenstein é o que se pode chamar um bom começo.