A catástrofe em Santa Catarina comoveu todo mundo
Enviado em 27 de Novembro de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
Lula sobrevoa a região inundada: a pior calamidade ocorrida em seu governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um gesto de solidariedade, visitou a região que sofreu a maior calamidade pública que se tem conhecimento no país. Lula ainda classificou os fatos dos últimos dias como a maior tragédia que enfrentou em seu governo. E assinou medida provisória de R$ 1,6 bilhão, para ser destinada à recuperação dos estragos causados pelas cheias na região.
– Essa é a maior tragédia em termos de enchente que já aconteceu no Brasil. O recurso estará disponível a partir de amanhã (hoje) e a maior parte será destinada a Santa Catarina – garantiu o presidente da República.
Segundo informa o Jornal de Santa Catarina “depois de uma reunião com o governador, a senadora Ideli Salvatti, o prefeito de Itajaí e empresários de Itajaí e Blumenau, o presidente sobrevoou as cidades de Navegantes, Itajaí e Luís Alves. Não pôde sobrevoar Gaspar e Blumenau por causa do mau tempo.
– O que mais me impressionou foi ouvir do governador que a água baixou. Lá de cima eu só via nuvens e água embaixo – contou o presidente”.
Desespero e saques tem sido um dos resultados dessa tragédia inacreditável para uma região que já havia sofrido, em 1983, uma enchente que ninguém imaginava que um dia pudesse se repetir. Pois ocorreu, com força nunca vista.
- O momento é para darmos as mãos e ajudar Santa Catarina a voltar a ser o Estado que sempre foi. Da parte do governo federal, não faltarão recursos para que a situação volte à normalidade. Sou de uma região em que as pessoas passam mais da metade do ano pedindo para que chova. Em Santa Catarina, temos que pedir a Deus para parar de chover, rezou o presidente Lula.
Os detalhes da tragédia chocam: quase 100 mortos e milhares desabrigados, sem acreditar que perderam todos os seus bens. Mas não há dor maior do que tantas vidas que poderiam ter sido salvas se tivessem sido tomadas maiores providências a partir da enchente espantosa que inundou Blumenau em 1983.
Praia de Camboriú, 1956: Lacerda, de chapéu. Eu, de marinheiro, bem à direita
Adoro aquela região. Fui criado ali quando Balneário Camboriú era uma praia de pescadores. Meu pai, jornalista José Mauro, bateu a foto acima, em 1956, na campanha em que Jorge Lacerda (à direita, de chapéu) foi eleito governador. Curiosamente, ambos morreram dois anos depois. Meu pai, aos 29 anos, após acidente vascular cerebral. Lacerda, em desastre aéreo onde também estava o catarinense que foi presidente - embora interino - da República, Nereu Ramos.
Para relembrar a enchente ocorrida há 25 anos, fui ao site de buscas e localizei uma rara notícia a respeito, que reproduzo. Na época, nem o Centro escapou.
IMAGENS DA ENCHENTE DE 1983 EM BLUMENAU
A enchente de 1983 no centro de Blumenau: obras evitaram tragédia maior
Texto: Rita Amaral
Imagens: colaboração de Pedro Zanchett
A primeira grande enchente em Blumenau, Santa Catarina, aconteceu em 1895, mas em 1983, Blumenau foi quase totalmente destruída pelas águas do rio. Inundadas até os telhados, na vazante as casas eram apenas restos enlameados das até então belas casinhas com jeito europeu, caiadas e com cercas cuidadas, muitas flores e frontais de madeira envernizada. Demorou um bom tempo até que a cidade pudesse voltar à uma certa normalidade, com o apoio da prefeitura e do governo do Estado. Mas cada chuva se transformava em uma ameaça. Em 1984, antes mesmo que a cidade estivesse funcionando normalmente, uma nova enchente, de proporções maiores para uma cidade ainda em recuperação da enchente anterior, destruiu Blumenau. “Completamente”, dizem alguns blumenauenses. “Menos a coragem do povo”, dizem outros…
Imagens da Prefeitura de Blumenau e da ponte de estrada de ferro em 1983 *
* Leia o relato do historiador Adalberto Day sobre a enchente: durou 32 dias.
Aos nossos olhos jornalísticos que já viram as piores tragédias - se é que existe melhor ou pior -, essa causada por uma persistente chuva (desde o final de julho) surpreende por sua dimensão. Nem o mais pessimista pensou algum dia que uma situação assim seria realidade. Claro, o tempo está mudando, conforme o Lutzemberger já antevia nos idos de 70. O aviso aí está para nós e a nova geração que começa a pagar um preço altíssimo antes mesmo de começar a interferir diretamente no ecossistema.
Caríssimo amigo Breno: apesar da tragédia, não posso deixar de registrar teus 49 anos, completados hoje. Feliz cumpleanos.
E fica de pé a promessa de que estaremos todos juntos em uma grande festa pelo teu cinquentenário, ano que vem. A fantasia tá decidida: tu de palhaço, eu de sultão, como nos velhos tempos.
Forte abraço, irmão.
(e ainda espero rever Camboriú nos seus melhores dias)