Tim Maia, para lembrar o Dia Nacional da Consciência Negra
Enviado em 21 de Novembro de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
Tim Maia por Tim Maia: uma divertida autobiografia do grande artista
Ontem foi o "Dia Nacional da Consciência Negra". Aqui no Rio Grande do Sul, o Estado mais racista do Brasil, nem se cogita em fazer feriado nessa data. Vi uma passeata no entorno das avenidas centrais de Porto Alegre, no fim da tarde, e reclamações de que a manifestação atrapalhava o trânsito. Somos assim mesmo: filhos de colonos, sabemos que os antepassados escravizaram os negros - mas fazemos pouco para modificar a mentalidade racista aqui para que as futuras gerações convivam em harmonia com todas as raças e credos.
Se alguém duvida do que escrevi acima, basta rever o material a respeito da brigalhada para que o regime de cotas não vigorasse entre nós. Com um dia de atraso em relação a data, esse blog homenageia a data revendo trechos da sensacional entrevista que o mitológico Tim Maia concedeu ao Jô Soares, quando o programa ainda era transmitido pelo SBT, do Sílvio Santos. É ótimo rever o fabuloso artista, sempre bem humorado, contando algumas histórias que seu amigo Nelson Motta ano passado transformou em uma espetacular biografia - "Vale Tudo - Tim Maia" - um dos livros que comprei esse ano na Feira e está sendo prazeroso conhecer um pouco mais o artista que era acusado de faltar aos compromissos mas é um dos poucos profissionais que perdeu a vida quando encontrava-se em um palco, cantando.
Com vocês, as três partes da memorável entrevista de Tim Maia a Jô Soares:
Tim Maia e Jô Soares no SBT (1): "Operei o saco, o bilau está quieto"
Tim Maia e Jô Soares no SBT (2): "Sou perseguido pela Rede Globo"
Tim Maia e Jô Soares no SBT (3): "Perdi quase R$ 500 mil em ações"
8 de março de 98: Tim Maia deixa o palco e morre sete dias depois
Oportunista, TV Globo presta sua homenagem após Tim Maia falecer






É… o Tim Maia. Sofria também pelo fato de ser gorducho. Lá pelas cansadas, de tanto encherem o saco dele, resolveu fazer um regime. E constatou: “Em duas semanas, perdi 15 dias”. Então, “ame-o e deixe-o ser o que ele é” (ser o que nós somos). Emanuel, eu também passei pela marcha ontem à tarde, voltava de uma viagem ao interior e um colega que estava comigo era um dos organizadores, preocupado por que o caminhão de som emprestado para o evento estragou. Quando a gente chegou no Largo Glênio Peres, fiquei chateada por ver tão pouca gente, apesar do esforço que eu sei que o pessoal da organização fez. E, ao redor, um monte de gente fazendo cara feia porque aquele pessoal da raça negra estava, como diz a música do Chico, “na contramão, atrapalhando o tráfego”. É isso aí, quem não concorda com o que está posto, atrapalha o tráfego. Então, eu vou atrapalhar mais ainda, só para inticar. Beijo e abraço bem apertado da Marcia Camarano
Márcia querida: foi exatamente esta impressão que tive ao ver a marcha da Consciência Negra em Porto Alegre. Nunca tinha visto tanto azulzinho no entorno, como se fosse aquelas marchas de protesto dos Sem Terra. Nada justificava tamanho aparato, a não ser mostrar pra população, branca, classe média, que os negros estavam ali, em dia de trabalho (aqui, porque no país foi feriado) incomando a tradicional família gaúcha. Aquela colonada que a gente conhece bem, metida a sebo. Mas se acham, fazer o quê…
Beijão.
Olá José Emanuel,
Estou na Paraíba, pesquisando material para a feira de Ciências e Técnplogia que acontecerá na escola em que estudo - aliás está acontecendo na maioria das escolas de João Pessoa.
Então, achei seu blog sbre Chico Buarque - meu tema para a feira?!
Achei complicado, pois li poucas “obras(?), biografia,…” de Chico Buarque.” Mas ao falar com uma menina da área das artes cênicas, deu um astral ao nosso tema. E seu blog ajudou-me a ter mais curiosidade sobre Chico Buarque.
Escolhemos algumas músicas, temos idéias de relacionar com os períodos vividos por Chico B. na ditadura, estamos lendo tb dois livros sobre ele: Literatura Comentada e Panorama da Música Popular Brasileira na Bellé Époque. Ou seja estamos nos puxando pois para mim o tema “é novo”. Se fosse de movimentos social, sei um pouquinho de nada, movimento negro começo a melhorar em Capoeira Angola então, é o meu chão!
Ao ler outra página(?!), de seu blog, encontro o 20 de novembro, a marcha(que participei da 1ª que teve e pude tb participar alguns dias de organização/mobilização.
Realmente não é fácil falar de negritude até hoje. Seja cotas, 20/feriado. Mas Rio Grande do Sul através de seus inumeros movimentos, ong’s, grupos, associações,…, incluíram no calendário da Campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência às mulheres o 20 de novembro. Esta Campanha esta em mais de 130 países, e pelo que sei só o RGS, incluiu-o. Que já é mais um passo para reflexão, desacomodação daqueles e daquelas que nem do 20 querem saber, refletir.
Há uns anos atrás, pensei em uma estratégia de caminhada, chamar atenção mesmo, por o povo na rua:
Organizar o maior número de movimentos, associações, líderes comunitári@s, escolas,…organizadamente descer os morros e irem concentrando-se na Av.Bento Gonçalves. Pois até chegar na Av. da Azenha têm muitos Morros. Ponto de partida: Viamão e Agronomia, e vem vindo: Pinheiro, Partenom(Santa Maria, Morro da cruz, Santa Catarina, Tuca, Alameda, Marai da Conceição, Santo Antonio,…), Azenha,…e mais algum/uns que eu tenha esquecido, oxê! Um local para concentrar-se, esta feita a Marcha. Aí sim, não vai ter meia dúzia de gato pingado seja o dia que for.
Penso que se os crimes de racismo, preconceito, discriminação, homofobia e outras formas correlatas de violências, esta parada no trânsito, no tempo curto que seja, com pessoas articuladas tocará as pessoas a questionar os porquês de toda esta mobilização, de pessoas nas ruas, “neste ou naquela horário”, envolvendo crianças, idosos, escolas, se durante a semana ou em um fim de semana.
Sinceramente, não sei quando, mas, um dia acontecerá!
Sou uma jovem mulher negra em João Pessoa na Paraíba, e não é fácil. Perguntam-me se sou do Brasil, ou da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro. Mas, pouquíssimas vezes relacionam-me com o a Região Sul - com Porto Alegre/Rio Grande do Sul. Bah, e eu fico tri indignada.
Então a questão de poucas pessoas na Marcha é uma questão ainda difícil ou com poucos apoios/recursos, ainda mais em uma quinta-feira, passados alguns dias/meses(?), das eleições.
Bem vou encaminhando minha despedida, com muitas saudades de PoA, de atividades que não estou participando aí. Mas acompanho na medida do possível daqui. Envolvida nos estudos, trabalhos pesquisando e objetivando as buscas por um mundo mais justo e humano.
Muito massa este bolg.
Natal e Ano Novo se aproximam desejo saúde, persistência e coragem para nós e todos e todas que estejam presentes e/ou em correntes positivas com os moradores, parentes, amigos e outros de Santa Catarina.
Axé,
Ana Margarida
Mil perdões, por ter enviado tantas mensagens assim. É que foi para uma página estranha, pensei que havia dado errado!
Ana
Ana Margarida:
perdão peço eu por só ter colocado no ar as tuas mensagens agora há pouco. É que passei praticamente o dia inteiro fora de casa, tanto que até deu confusão nas postagens das fotos das cheias em Santa Catarina. Tive que detonar o material pra não ficar pendurado…
Belíssima a sua história de vida, riquíssima, aliás. Fico mais feliz ainda em ter colaborado um pouco para seu tema a respeito do grande Chico Buarque de Hollanda, que embalou minha juventude com suas músicas - e, principalmente letras - que serviram como hinos contra os 20 anos de ditadura. “Apesar de você” é, longe, a mais simbólica desse período. Graças a Deus tivemos Caetano, Chico, Gil, Paulinho da Viola, entre tantos gênios musicais para amenizar a dor de sofrer a censura dos militares em nome de um falso moralismo. Como disse o grande Ulysses Guimarães, e repito com saudade: “Tenho ódio e nojo da ditadura!”
Grato por sua leitura, repito ter ficado bem feliz por você ter sido personagem involuntária de um post, na marcha pela Consciência Negra em Porto Alegre, e constatar o fato aí, agora, na Paraíba.
Fica mais uma vez demonstrado o quanto a Internet horizontalizou as comunicações. Sempre digo que quando se bota um post no ar o Bin Laden pode estar lendo.
Maravilhoso poder viver esses tempos mágicos.
Abração e apareça sempre.