Ricardo Kotscho: Daniel Dantas deu R$ 18 milhões de propina
Enviado em 21 de Novembro de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
Charge publicada no Blog do Simon e reproduzida no "Política levada a sério"
Pela gravidade do assunto, reproduzo na íntegra esse texto abaixo, postado no prestigiado blog "Balaio do Kotscho", do respeitado jornalista Ricardo Kotscho:
"Sem muito alarde, depois de semanas dedicando os espaços nobres do noticiário à discussão sobre métodos adotados pelos investigadores, hoje os jornais publicam o preço da propina paga à suposta rede de corrupção que protegia o notório banqueiro Daniel Dantas nas atividades criminosas de que é acusado: R$ 18 milhões.
Pelos bilhões envolvidos nestas atividades, sei que esta quantia é troco de táxi, mas pode explicar muita coisa estranha na cobertura do caso. Quem fez esta constatação não fui eu, mas o bravo colega Luciano Martins Costa, em seu comentário no programa de rádio do Observatório da Imprensa.
A revelação da quantia investida para conquistar os corações e as mentes de juízes, políticos e jornalistas, publicada pelo jornal “O Globo”, foi feita pelo delegado Carlos Eduardo Pelegrini Magro, um dos responsáveis pelo inquérito que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, durante reunião de três horas com a cúpula da Polícia Federal, no dia 14 de julho.
Para o delegado Magro, que diz ter apreendido na operação bilhetes e informações digitalizadas num laptop, detalhando o esquema de propina, as críticas à investigação são “uma reação do crime organizado”. Sobre os jornalistas, segundo ele, consta no organograma: “A gente contrata o Mangabeira para chegar aos meios de comunicação”.
Na mesma linha, Amaury Portugal, presidente do sindicato dos delegados da PF paulista, disse durante a abertura do congresso nacional da categoria, em São Paulo, que o crime organizado se infiltrou em todos os poderes.
“A Polícia Federal é um dos alvos disso. Nós, que conhecemos a instituição, sabemos que o que está colocado na imprensa não procede”, afirmou Portugal à “Folha”, a respeito das suspeitas de que houve grampo ilegal contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
A reação dos delegados da Polícia Federal se deu na mesma segunda-feira em que os advogados de Daniel Dantas sofriam três derrotas na Justiça: o juiz De Sanctis foi mantido no caso pelo TRF e, além disso, foram negados dois habeas corpus que pretendiam anular a ação penal e os inquéritos policiais.
Parece que os advogados do banqueiro tentam controlar todo o processo, vetando juízes, anulando inquéritos, escolhendo políticos mais simpáticos à causa ou até indicando quais jornalistas devem ou não fazer a cobertura do caso. Podem até não conseguir, mas estão no papel deles de tentar. Resta saber como cada um cumprirá seu papel nesta história."
Amigo. Sem comentários. E sem esperanças de que algo mude.
bj
Emanuel, Emanuel, o Ricardo, competente companheiro por bom tempo esteve trabalhando junto ao poder e, como repórter sagaz que conheci bem no Estadão, deve ter visto e ouvido coisas de arrepiar os cabelos - mesmo os dele, já tão ralos.
Confesso que aguardo ansioso o dia em que ele contará tudo, ou pelo menos boa parte. abs
Maristela: se o governo não levar essa crise com seriedade, sei não.
Beijão.
Zé Maria: o Ricardo Kotscho, grande sujeito, irmão do Ronaldo, que trabalhou conosco naquela saudosa equipe de repórteres do Placar, dificilmente contará agora tudo o que sabe - e sabe tudo.
Pesa muito sua fraternal amizade com o presidente Lula. Mas creio que já deve ter os originais prontos pra publicar a partir do dia em que seu compadre não estiver mais no governo do país. Aí, irmão, sai de baixo!
Forte abraço
Espero…abrs