A vitória de quem menos precisa da Prefeitura
Enviado em 25 de Outubro de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
O jornal Zero Hora, em 10 de outubro, publicou estudo que rendeu manchete: "Geografia dos votos na Capital mostra desafios de Fogaça e Rosário". O texto chama a atenção: "As informações mais preciosas dizem respeito à votação de Manuela D’Ávila, que obteve 15,35% dos votos. Os principais redutos são as zonas 158 e 159, onde alcançou cerca de 20% dos votos válidos. As coordenações das campanhas de Fogaça e Rosário planejam reforçar a presença nas duas áreas e distribuir folhetos específicos para as regiões". Exemplo: Seção 473, Zona 158: Manuela 115 votos, Rosário, 83 e Fogaça 48.
No total, houve 869.077 votos nas urnas eletrônicas (169.808 ausentes), de 1.038.885 habilitados, segundo divulgou o site do TRE/RS. O olho da matéria informa: "Separados por zona eleitoral, os votos nos candidatos a prefeito mostram peculiaridades entre as 10 regiões de Porto Alegre. Nos bairros mais centrais, por exemplo, amplia-se a vantagem de José Fogaça - se bastassem as zonas 2 e 111, ele já estaria reeleito." Mas não foi destacada ao menos uma curiosidade que esse Primeiro Turno proporcionou: Fogaça não teve vantagem significativa nas regiões onde há menor poder aquisitivo. Esse fato desperta uma curiosidade no segundo turno, amanhã: qual será o comportamento das comunidades pobres, que só ouvem falar da Prefeitura em véspera de eleição?
De fato, se fossem somados os votos das zonas 1 e 2, regiões de bairros nobres como Moinhos de Vento, Praia de Belas, Santa Cecília e Independência…
…junto com as zonas 111 e 112, onde a classe alta e média predomina, Fogaça teria vencido no primeiro turno, como manda o figurino do prefeito que tenta mais um mandato. Mas, embora seu bordão durante a campanha que o elegeu em 2004 tenha sido "trabalhar pelos que mais precisam da Prefeitura", é fato que Fogaça obteve menos votos nas regiões onde as carências são maiores.
Foi assim na Zona 113 (Partenon e Santo Antônio, entre outros), redutos onde a oposição somada obteve 56,36%. Assim, também, na Zona 114 (da Glória, Cristal, e Teresópolis), com 59% do eleitorado em busca de uma nova opção.
Os índices foram menores em outras regiões "que mais precisam da Prefeitura". Na Zona 160 (Belém Velho, Cavalhada, Vila Nova) 55,33% votaram contra, mas o pior índice de todos foi em uma região emblemática, a Zona 161, por conter, principalmente, o populoso bairro Restinga. Pois ali, Fogaça obteve seu índice mais baixo no primeiro turno: 38,43. Significa que 61,57% queriam a mudança.
Que, pelo jeito não virá, afirmam as pesquisas de hoje do Ibope, em Zero Hora, (56 x 44 do votos válidos, mesmo índice apontado pelo Instituto Methodus, no Correio do Povo). Pouco mais de 24 horas do encerramento das urnas, não há fato que tenha força suficiente para mudar o quadro. Fogaça deverá obter uma vitória "De lavar a égua", conforme o Dicionário de Porto-Alegrês, do escritor e professor Luís Augusto Fischer, que concorre como "Fato Literário" na Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro deste ano. Nele, Fischer ensina:
"Digamos que o meu time, o Colorado (do Fischer, não meu) ganhe bem um Gre-Nal, ganhe com belos gols, com muitos gols. Então a gente comenta: "Foi de lavar a égua", isto é, foi maravilhoso, foi sensacional. Agora, porque a égua e não o cavalo?", pergunta o professor Fischer. Ele que vá pesquisar! Já me basta sair de casa amanhã para votar, com uma baita pulga atrás da orelha:
- Será que Fogaça terá a maioria nos bairros que mais precisam da Prefeitura?