Fogaça: Ninguém pode dizer a verdade pra se eleger
Enviado em 16 de Outubro de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
O prefeito Fogaça precisa explicar a frase polêmica de seu discurso no Senado
- Ninguém pode dizer a verdade pra se eleger, porque se disser a verdade tá condenado. (José Fogaça, na tribuna do Senado, em 20 de novembro de 2002)
O vídeo galhofeiro postado abaixo, intitulado "Candidato caô", reproduz, ao final, uma frase solitária do então senador do PPS, José Fogaça, em seu discurso, um mês antes de deixar a cadeira que ocupou durante 16 anos.
Fogaça foi senador pela primeira vez em 1986, ano em que o Plano Cruzado de José Sarney garantiu a eleição de todos os seus aliados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Pedro Simon venceu fácil para governador e as duas vagas ao Senado ficaram com os peemedebistas José Fogaça e José Paulo Bisol. Foi tão barbada que era desnecessário concorrer com candidatos em sublegendas, como fizeram João Gilberto Lucas Coelho (alternativa à Fogaça) e Odacir Klein (opção à Bisol). Ambos teriam sido eleitos para a Câmara Federal, mas ficaram sem mandato. Prova disso: o PMDB elegeu 28 dos 55 deputados estaduais.
Depois de concorrer ao governo do Estado em 1990, quando foi superado por Alceu Collares e Nelson Marchezan, Fogaça garantiu outra vez uma das cadeiras ao Senado, em 1994, quando Antônio Britto ganhou o governo. A outra vaga ficou com Emília Fernandes, então no PTB, graças ao ilustre cabo eleitoral Sérgio Zambiasi. César Schirmer, do PMDB, já cantava a vitória quando foi atropelado por Emília em final apertado. Na seqüência a senadora se bandeou para o PT.
Em 2001, Fogaça foi para o PPS, à reboque de Antônio Britto, que levou junto os deputados Nelson Proença (federal), Berfran Rosado, Mário Bernd, Paulo Odone e Iara Wortmann (estaduais). No ano seguinte, Britto sequer chegou ao segundo turno na disputa ao governo, suplantado pelo peemedebista Germano Rigotto, que venceu, e por Tarso Genro. Mesmo sem ter chance, o PMDB lançou Odacir Klein para o Senado, a fim de obter os votos que faltaram à Fogaça, derrotado na nova tentativa por Sérgio Zambiasi (PTB) e por Paulo Paim (PT).
Certamente algo se passou nesse período, que tenha levado o sempre contido professor Fogaça a fazer essa insinuação em plena tribuna do Senado, no dia 20 de novembro de 2002, conforme está gravado e vale a pena ser repetida:
- Ninguém pode dizer a verdade pra se eleger, porque se disser a verdade tá condenado.
Passados seis anos, Fogaça ainda não revelou o conteúdo de uma frase que dá margem à qualquer tipo de especulação. Até contra ele mesmo, pois acabou eleito prefeito de Porto Alegre dois anos depois desse estranho desabafo.
Com tanto debate no segundo turno, bem que o ex-senador da República e candidato a reeleição à prefeitura da capital gaúcha poderia explicar a frase. A não ser que agora concorde que ‘ninguém pode dizer a verdade pra se eleger’.