Lair Ferst bota fogo na casa de Yeda
Enviado em 6 de Agosto de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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Lair Ferst é acusado de ter dado cheque que comprou casa de Yeda
Existe um ditado antigo que diz: "Quem mal não pensa, mal não faz". Pois é.
No post anterior, achei tão criativa e genial a frase que meu amigo Tacho escreveu em seu blog - o PLANETACHO - que a reproduzi. E de lambuja ilustrei com uma charge que ele botou no ar recentemente a respeito.
Em respeito aos eventuais leitores, adicionei o link de duas matérias em que, ao acessá-las, quem estivesse por fora do assunto, logo estaria atualizado.
Mal sabia que a Folha de S.Paulo já circulava com um fantástico furo de reportagem que deixou os principais jornais de Porto Alegre a ver navios.
O título:
"Acusado de desvio no Detran-RS muda versão e envolve Yeda Crusius"
E o olho da matéria informa:
Lair Ferst, que coordenou campanha de tucana, diz que atual gestão reestruturou esquema de fraude.
Empresário negocia com a Procuradoria implicar o primeiro escalão do governo em troca da retirada de parte de acusação contra ele.
Diante da gravidade das acusações, feita por um dos pivôs do desvio de R$ 44 milhões do Detran gaúcho, que envolve pela primeira vez na fraude a governadora Yeda Crusius, rendo homenagem aos autores da matéria ao publicar a íntegra, uma vez que o jornal esgotou nas bancas de Porto Alegre:
ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE
GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos pivôs do desvio de R$ 44 milhões do Detran-RS, envolveu ontem pela primeira vez a governadora Yeda Crusius (PSDB) na fraude.
Uma semana depois de se desfiliar do PSDB, Ferst -que ajudou a coordenar a campanha de Yeda em 2006- afirmou em entrevista exclusiva à Folha que foi uma decisão da cúpula do governo reestruturar o esquema de desvio.
O empresário negocia com o Ministério Público Federal e com a Justiça implicar cerca de dez nomes de integrantes e ex-integrantes do primeiro escalão do governo gaúcho, além de pessoas com foro privilegiado, em troca da retirada de parte das acusações contra ele.
Ferst é réu em ação criminal com outras 39 pessoas. Ele responde, entre outras acusações, por corrupção ativa e extorsão. A Folha apurou que essa é a segunda tentativa dele de fazer um acordo. A primeira foi vetada pela Justiça em abril.
As novas informações que Ferst promete acrescentar se referem à chamada "fase dois" da fraude -quando o Detran substituiu, em maio de 2007, a Fatec pela Fundae, ambas fundações ligadas à Universidade de Santa Maria.
As investigações apontam que a troca ocorreu para retirar as empresas da família Ferst do esquema e beneficiar empresas ligadas a integrantes do aliado PP. Mesmo assim, até então, o empresário havia assumido posição de defesa da governadora -negando inclusive qualquer proximidade com a tucana. "Procurei não potencializar essa relação em razão do clima quente do debate político que se travou na CPI [da Assembléia Legislativa], eu não achava que era conveniente servir de munição para a oposição."
Agora, Ferst afirma que era amigo da governadora e que foi recebido mais de uma vez por Yeda depois da posse. Segundo ele, a reestruturação da fraude, com a troca de fundações, foi decisão política do governo. "É público e notório que houve o envolvimento da governadora nesse processo", disse ele.
O empresário afirma que as informações que prestará ao MPF irão envolver pessoas próximas a Yeda. A crise já derrubou cinco integrantes do primeiro escalão, alguns deles citados por réus em grampos realizados pela Polícia Federal na Operação Rodin.
A reavaliação de sua estratégia de defesa ocorreu após o cancelamento do depoimento que prestaria à Justiça Federal no dia 20. Aprovada este ano, a lei 11.689 altera o curso do processo criminal, deixando para a última fase os depoimentos dos réus. Além da razão processual, Ferst mostra-se magoado com o "abandono" de tucanos.
Na semana passada, Ferst foi impedido pela PF de sacar R$ 200 mil em agências bancárias de Porto Alegre. Ele diz que o dinheiro é lícito e que vai acionar judicialmente a PF pelos abusos que afirma ter sofrido.
Lair revela envolvimento da governadora na fraude
Segunda retranca da matéria da Folha de S.Paulo, com o seguinte título:
"É notório o envolvimento da governadora"
Leia abaixo os principais trechos da entrevista em que o empresário Lair Ferst envolve governadora Yeda Crusius (PSDB) em fraude:
FOLHA - A troca de fundações foi fruto de decisão do governo?
LAIR FERST - Não seria possível essa mudança sem orientação política de governo, sem respaldo político.
FOLHA - Do alto escalão?
FERST - Do governo como um todo, na sua plenitude.
FOLHA - Da governadora?
FERST - Na CPI do Detran, o próprio [ex-] presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, disse que teve reuniões tratando deste assunto [com Yeda]. Ela se reuniu também com sindicatos de examinadores. É público e notório que houve o envolvimento da governadora neste processo. […] Aparecerão nomes que não foram nem citados no inquérito. Há vários personagens que não foram citados que poderão a ter sua participação esclarecida.
FOLHA - Quem são?
FERST - Não posso antecipar nomes nem conteúdos. Essas conversações se obrigam ao sigilo. Esse tipo de acordo [com o Ministério Público] só tem razão de ser para esclarecer pontos que a investigação não conseguiu.
FOLHA - Qual é a sua relação com o governo?
FERST - Tenho amizade com a maioria dos integrantes do governo, mas isso não quer dizer que tenha qualquer vínculo com o governo. Uma relação de amizade que vem da campanha eleitoral. Depois da posse, me afastei bastante deste grupo e fui cuidar da minha vida. Até o dia da posse nós tínhamos um relacionamento muito intenso por conta da campanha.
FOLHA - E com a governadora?
FERST - Inclusive com a governadora. Depois da posse, eu tive alguns encontros, algumas conversas com ela. Foram conversas sobre assuntos de amizade, não houve tratativas de cargos ou participação no governo.
FOLHA - Por que o sr. não falou isso antes?
FERST - Eu procurei não potencializar essa relação em função do clima quente do debate político que se travou na CPI. Havia interesse claro de atingir o governo, eu não achava que era conveniente que eu servisse de munição para a oposição.
FOLHA - Por que deixou o PSDB?
FERST - Para que eu ficasse livre de citações e vinculações políticas e para deixar o partido à vontade. Nem todo partido se sente à vontade com um filiado sub judice. Minha desfiliação tira um certo peso do partido.
Belo, a julgar pelos ocupantes, a tal “casa” é mesmo de assombrar. Beijo da Marcia Camarano
Marcia querida: o que mais me deixa triste neste episódio é que o Rio Grande elegeu uma mulher na hora errada. Ou melhor, elegeu a mulher errada. Seu governo não tem lógica. Veja só: ela comemora como grande façanha o empréstimo de US$ 1,1 bilhão, que vai ser pago pelas futuras gerações e não por ela, artista de quinta categoria desse filme de terror em cartaz no Piratini.
O Rio Grande, terra de grandes mulheres, não merecia essa senhora no governo, até porque quem manda é o marido, em quem ninguém votou.
Pior, não haverá impeachment, pois a oposição quer vê-la sangrar até o fim.
Beijão.
emanuel
o que mais me deixa triste é que elegeu a mulher errada, na hora errada, de um partido errado, e de um lugar errado, pq ela não é gaúcha…deveria estar em São Paulo onde PANTALHA pode ser uma indumentária (só rindo)
bjs
Márcia Fernanda: pior de tudo é saber que essa senhora vai se mandar do Estado logo que terminar esse mandato chinfrim. Fez o que fez e, se não sofrer o impeachment, voltará pra São Paulo, de onde nunca deveria ter saído. E os gaúchos ainda se dizem os mais politizados do país. Será que a gente não aprende com os erros?
Beijão.