A corrida em que o vencedor não ganhou
Enviado em 3 de Agosto de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
Manobra sensacional: Massa ultrapassa Hamilton antes da primeira curva
O resultado do GP da Hungria de 2008 vai entrar para a história como aquele onde houve uma das maiores injustiças de toda a Fórmula-1. O que não é pouco. "Felipe fez a sua melhor corrida de sua carreira". O autor da frase é ninguém menos do que o diretor-técnico da Ferrari, Stefano Domenicale.
"Ele realizou uma largada maravilhosa, atacou no momento certo. Depois, administrou sua corrida no final, buscando uma vitória merecida", disse o dirigente. "Hoje, mostramos o valor de nossa equipe, mas faltou o que era vital, a confiabilidade. Estamos muito desapontados com o que aconteceu com ele a poucos quilômetros do fim".
De fato, foi muito duro acompanhar o desenlace de uma corrida perfeita. Em um circuito onde é raro ultrapassar, Massa conseguiu uma façanha: tendo saído em terceiro, ao final da primeira curva passou pelas duas McLarens, principalmente Lewis Hamilton, numa dividida de arrepiar, depois de ‘fritar’ os pneus e frear no limite extremo. Manobra antológica.
A partir daí, sem cometer nenhum erro, soube manter uma vantagem confortável e, após dois pit stops perfeitos, ainda foi beneficiado com um pneu furado de Lewis Hamilton. Parecia que, finalmente, Felipe Massa seria recompensado com sua primeira vitória na Hungria, a quarta da temporada, e, novamente, com a liderança do Mundial de Pilotos.
Esse resultado, somado ao apático desempenho de Kimi Raikkonen, certamente fariam com que a Ferrari optasse em lhe dar prioridade nas sete últimas provas, uma vez que ele subiria para 64 pontos, três a mais do que o adversário inglês da McLaren e com oito de vantagem sobre o seu cada vez mais desanimado companheiro de equipe.
De repente, a três voltas do final, o confiável motor da Ferrari quebra, depois de soltar fumaça, em plena reta, para espanto geral. Daí em diante, foi uma tristeza só: o brasileiro desceu do carro, colocou as mãos na cabeça, como quem não acredita do que aconteceu, pulou o muro da pista, e caminhou rumo ao boxe da Ferrari, aos prantos.
Foi realmente de doer. E eu, que já o critiquei por algumas imperícias, acabei convencido, após suas últimas atuações, de que é o único que pode fazer frente este ano à McLaren de Lewis Hamilton. Quando os carros cruzaram a linha de chegada, lembrei da frase tradicional na F-1, que o próprio Massa repetiu à imprensa:
- As corridas podem ser cruéis.
Ainda restam sete provas para serem corridas. Menos mal. Significa que tamanha injustiça poderá ser corrigida. Até porque, pelo que se viu nesse inacreditável GP da Hungria, Hamilton é o líder do campeonato, mas tem ao menos um adversário em condições de batê-lo: Felipe Massa.
Naquele pódio esquisito, Heikki Kovalainen, da McLaren, festejou sua primeira vitória na F-1, o improvável Timo Glock, da Toyota, foi segundo e Kimi Raikkonen, da Ferrari, ainda beliscou o terceiro. Nada a ver com o que aconteceu em 67 das 70 voltas de Hungaroring. Porque, para mim, o GP ficará marcado como aquele em que o vencedor não ganhou.
Emanuel, estava sendo uma corrida flash back para mim. Aquela ultrapassagem no final da reta após a largada e outras mais, os erros no pit stop, pneu furado (deve ser coisa de inglês ter o pneu furado ou roda que se solta - o Mansell que o diga) etc. Agora é de chorar mesmo o Massa não ter concuído. Menos mal: mostrou para milhões de pessoas o que é pilotar, o que é ser arrojado. É um tapa na cara daqueles que idolatram os pilotos certinhos, que ganham apenas pensando no regulamento. F-1 é arrojo: do carro ao piloto. E o Schumacher que cuidar de ovelhas ao dizer que saiu para o Massa não ficar desempregado. Na verdade, ele saiu antes que topasse com o arrojo do Massa, que ainda vai mostrar muito mais. É só a Ferrari trabalhar para ele como trabalhou para o Schumacher, para o Prost, para o Lauda, para o Villeneuve, para o Arnoux…
Breno: que os anjos digam amém. Mas como já vi grande pilotos sumirem na poeira por causa do azar, ou da fatalidade que teima em perseguir o Massa, é preciso esperar as próximas corridas.
Ele, como todo piloto que dirige no limite, erra. E, como não é um Senna ou Shumacher, mais do que o normal. Por isso, temo que, quando tiver uma Ferrari em ponto de bala, o guri se precipite e bote tudo a perder. A sina de Massa é que a Ferrari erra (motor, pit stop, etc) e pouca coisa acontece. Mas se ele falhar, vai ficar a pé nas próximas temporadas. Ou ao menos longe da Ferrari. Tomara que não aconteça, pois Massa pode não ser um fora-de-série, mas tem nível no mínimo igual ao Raikkonen, que até já foi campeão.
Abração.
Pô, Emanuel
Massa não é um fora-de-série? Nível igual ao do Raikkonen? O Raikkonen é competente, mas Massa é muito mais. Aguarde e verá, quero te ver reconhecer ao final se ele não é gênio.
Até já estás torcendo por ele, pomba…
Abraços mil.