Eleitor brasileiro confia mais nas mulheres
Enviado em 30 de Julho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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Super-Homem, canção-homenagem à mulher, do ex-ministro Gilberto Gil
Apesar da campanha de alguns machistas e rabos (ou ratos) de aluguel, é grande a chance das quatro principais capitais do Brasil terem mulheres no comando de suas prefeituras a partir de 2009. E parece ser irreversível.
Pelo andar da carruagem, Marta Suplicy deverá ser eleita em São Paulo, onde lidera; Jandira Feghali está em segundo lugar no Rio de Janeiro; Jô Moraes disparou em Belo Horizonte e Manuela d’Ávila está em empate técnico com Maria do Rosário, em Porto Alegre, porém com muito menor índice de rejeição, que é onde se avalia a candidatura que deverá crescer. Os números do Datatolha apenas confirmam a pesquisa do Instituto Estado/Ipsos, realizada entre 11 e 17/12/2007, que apontava a tendência brasileira de votar nas mulheres este ano.
Manuela d’Ávila em Porto Alegre
67% dos brasileiros acreditam que a maior presença feminina no poder melhoraria o nível da política do país;
58% afirmam que a participação da mulher é menor do que deveria;
48% entendem que elas são mais honestas. Como se vê, nada é por acaso.
Quanto ao item competência, entre os mil entrevistados, elas ganharam de goleada:
35% consideram as mulheres mais competentes, e só 14% os homens.
Na prática, porém, atualmente as mulheres continuam em grande desvantagem.
Na Câmara dos Deputados, elas ocupam 45 das 513 cadeiras, ou seja, apenas 8,6%.
No Senado, o índice é um pouco maior: dez das 81 vagas, um índice de 12.3%.
Nas câmaras municipais do Brasil, de 51.818 vereadores, 6.550 são mulheres: 12,6%.
Marta Suplicy em São Paulo
Nos 26 estados, apenas três são governados por mulheres (Pará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul), o que equivale a 11,11% dos cargos.
Já nas 5.562 prefeituras do país, limita-se a 416 vagas, somente 7,5% do total.
São dados no Correio do Povo de 20 de janeiro de 2008. A excelente repórter Taline Oppitz ouviu a diretora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, de Brasília, Natália Mori. Seu diagnóstico:
1) Os partidos não estimulam a participação delas e não definem políticas de recursos e tempo de mídia para promover essa integração;
2) Homens e mulheres foram criados com projetos diferenciados. Elas se preocupam com o coletivo, com os filhos, enquanto eles priorizam seus projetos pessoais.
Jandira Feghali no Rio de Janeiro
Já para a diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Políticas da UFRGS, professora Céli Pinto, o sistema partidário é extremamente fechado e discriminatório. Apesar de a Lei de Contas prever 30% das candidaturas para as mulheres, não foi estabelecida punição se o percentual for descumprido.
Céli propôs duas formas de reduzir a atual discriminação: o debate constante sobre o problema e a insistência do público feminino na abertura de espaços.
E finaliza com um vaticínio que deverá se materializar já nesta eleição de outubro:
- As mudanças culturais ocorrem de forma lenta, mas são necessárias.
Se depender da vontade manifestada por esta pesquisa, sejam bem-vindas, senhoras prefeitas.
Jô Moraes em Belo Horizonte
