Deputada do PC do B derrota Aécio e Lula em BH
Enviado em 21 de Julho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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Quem acha que já viu tudo em eleição, teve uma surpresa com o resultado do Ibope para a prefeitura de Belo Horizonte, divulgado no final de semana.
O candidato Márcio Lacerda (PSB), que reúne a impressionante coligação de 12 partidos (PSB-PT-PTB-PP-PR-PV-PMN-PSC-PSL-PTN-PTC-PRP), apoiado por Lula e pelo governador Aécio Neves – largou de marcha-à-ré. A decisão do PSDB de não lançar ninguém e dar apoio informal ao “chapão” foi rejeitada na pesquisa do Ibope. Márcio Lacerda, que também recebe o apoio do atual prefeito Fernando Pimentel (PT), está em terceiro lugar, com apenas 8%.
Lacerda e o prefeito Pimentel: vexame
Segundo o Ibope, a deputada federal do PC do B, Jô Moraes, lidera a pesquisa com 17% dos votos, seguida por Leonardo Quintão (PMDB), com 14%.
Na simulação ao segundo turno, Jô Moraes ganha de Quintão por 26% x 21% e mais fácil ainda do candidato Lacerda, do “frentão”, por 27% x 16%.
A deputada-sensação Jô Moraes, no PC do B desde 72, nasceu na Paraíba e chegou a Minas nos anos 70, quando era perseguida pelo regime militar. Usou várias identidades, como Josydeméia Santiago e Joana Campos Costa. Era chamada de Jô, nome que acabou incorporando ao de batismo: Maria do Socorro Jô Moraes.
Jô Moraes, do PC do B: liderança em BH
Aos 62 anos, ela já foi duas vezes vereadora de Belo Horizonte, uma vez deputada estadual e elegeu-se para a Câmara Federal em 2006. Sua candidatura tem o apoio aberto do grupo dissidente do PT, que é ligado ao ministro do Desenvolvimento Social de Lula, Patrus Ananias. Publicamente, diz que é homem de partido e vota em Lacerda, mas não subirá no seu palanque.
Outro ministro petista, Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, também não simpatizou com a adesão do PT ao candidato-empresário. Em Belo Horizonte, eleitores petistas até já criaram comitês eleitorais em apoio a Jô.
Os dirigentes do PT estudam uma punição aos rebeldes, na tentativa de reverter o quadro, uma vez que é muito expressivo o número de eleitores que pretendem anular o voto por não engolirem o acordo que uniu petistas e PSDB.
Caso se confirme a tendência, Aécio Neves sofrerá uma grave avaria em seu acalentado projeto de concorrer à Presidência em 2010, pois será difícil viabilizar-se após a manobra de evitar o lançamento de um candidato do PSDB, a fim de dar seu apoio a esse “balaio de gatos” que é rejeitado até por ilustres petistas.
Aécio Neves e Lula: a aliança rejeitada
Ainda falta muito chão pela frente e a patrola governista sequer foi acionada. Mesmo assim, duas verdades já estão comprovadas em Belo Horizonte: . 1) Mineiro é mesmo muito desconfiado; e 2) A gente morre e não vê tudo.