Rafael Nadal devora a grama de Wimbledon
Enviado em 6 de Julho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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Rafael Nadal repete o gesto de morder a Taça de campeão após a épica vitória
Definitivamente os deuses do Olimpo desceram mais cedo neste ano esportivo.
Há 30 dias dos Jogos de Pequim, ao menos dois deles fizeram neste domingo, uma das mais eletrizantes partidas de tênis desde que o esporte é praticado.
Meninos, eu vi a realeza se render, extasiada, ao show protagonizado pelo espanhol Rafael Nadal, que aos 22 anos conquistou seu primeiro título na grama sagrada de Wimbledon ao bater o suíço Roger Federer, pentacampeão do torneio - de 2003 a 2007 - em uma final pra lá de emocionante.
Nadal vibra na grama do All England Club
Sua espetacular vitória por 3 a 2 (parciais de 6/4, 6/4, 6/7, 6/7 e 9/7) impediu o fenomenal Federer ultrapassar o sueco Bjorn Borg (outro ganhador de cinco edições consecutivas - de 1976 a 1980), ambos atrás do norte-americano Pete Sampras e do britânico Willie Ranshaw, que tiveram sete vitórias alternadas.
Quem gosta de tênis e não viu essa partida memorável, dê um jeito de assistir.
O site esportivo espanhol Marca estampou a seguinte manchete: "Heróico".
Quando o quinto set estava empatado em 7 x 7, ninguém tinha a menor idéia de quem ganharia, pois cada protagonista tirava um novo coelho da cartola. Tanto que a extraordinária Maria Ester Bueno exultava em seus comentários na SporTV: "É possível uma coisa dessas? O que mais pode acontecer nesse jogo?
Nadal e Federer: abraço no final do jogo
Com a autoridade de única tenista brasileira a vencer Wimbledon (em 1959, 60 e 64) - além de quatro vezes o Aberto dos EUA -, naquele momento fez uma proposta inusitada: "Por mim, terminava aqui e dava o troféu para os dois".
Depois de quase cinco horas de um jogo que só terminou às 21h15 em Londres, por causa de duas interrupções provocadas pelas chuvas, o bravo ‘touro míúra’ - apelido recorrente por sua raça, bravura, coragem e perseverança, Nadal saltou o muro, beijou os país, famliares, técnico e recebeu uma bandeira da Espanha.
O choro do campeão ao abraçar seus pais
Após, saudou o Príncipe de Astúrias, que virou um plebeu ao cumprimentar o novo rei do tênis.
Roger Federer jogou tudo o que sabe no piso que mais gosta. Perdeu os dois primeiros sets, mas reagiu, porém não o suficiente para derrotar o "pior adversário que já enfrentei e na quadra que mais gosto; é incrível", admitiu.
Nadal, o príncipe Felipe e a princesa Letizia
Depois de receber a taça de campeão do Duque de Kent, Nadal dedicou um elogio inesquecível ao rival: "É um grande prazer ganhar pela primeira vez em Wimbledon contra o melhor jogador da história".
Perguntado a respeito do que sentiu ao chorar deitado no gramado do All England Club, desabafou, para delírio dos torcedores:
- É impossível descrever. Realizei o sonho de conquistar o meu torneio predileto. Tinha consciência de que ele era o favorito, mas sempre imaginei ganhar em Wimbledon.
Federer cumprimenta o sucessor
Gosto dos esportes mais variados e o tênis é um deles. Lembro de duas grandes finais em Wimbledon: 1981, quando o norte-americano John McEnroe derrotou Borg e evitou a sexta conquista consecutiva do sueco, partida que assisti na casa do grande cronista esportivo José Mária de Aquino, em São Paulo. E a final de 1982, em que o notável Jimmy Connors bateu o compatriota McEnroe em uma partida tão longa - realizada durante a Copa do Mundo da Espanha- que acompanhei o início em uma TV no estádio onde cobria um dos jogos (não lembro qual) e voltei a tempo de assistir o final daquela disputa.
Mas nenhuma mexeu tanto comigo como essa conquista de Nadal, um fenômeno que sequer alcançou a maturidade profissional, mas tem batido recorde atrás de recorde - com apenas 22 anos já acumula 33 títulos, é o tenista que possui o maior número de vitórias seguidas no piso de saibro:81. É tetracampeão em Rolland Garros (onde nunca perdeu) e hoje quebrou uma invencibilidade de 65 vitórias consecutivas que Roger Federer mantinha no gramado.
Após esse feito, ele já tem assegurado um lugar entre os gigantes do esporte mundial.
Olé, Nadal!
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