Uma ‘Sessão Pastelão’: O Bebê Japonês
Enviado em 1 de Julho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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O desbocado pimpolho nipônico: cala a boca, Magda!
Cena 1:
"Me caiu no colo um bebê japonês e, na minha volta, não havia nenhum japonês que valesse a pena. Então, não é meu, não é nosso esse filho que me caiu no colo. Mas quando um bebê é jogado no meu colo, não jogo no rio. Vamos achar o pai e a mãe. Esse bebê vai voltar para seu local de origem. Essas coisas requerem que a gente avalie o tamanho do inimigo."
Cena 2:
"Senhor Cônsul do Japão no RS, Haruyoshi Miura:
Quero pedir desculpas a cada um dos membros da laboriosa comunidade japonesa, em especial aos residentes no nosso Rio Grande do Sul, pelas interpretações que possam ter sido retiradas de expressão que utilizei em discurso político, no último final de semana.
Quero também reafirmar meu reconhecimento, meu carinho e sincera admiração pelo povo japonês e em especial pelos imigrantes e seus descendentes no Estado."
A atrapalhada Magda, personagem de Marisa Orth em ‘Sai de baixo’

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bjs
Prezado Emanuel
Achei a declaração reveladora. Enxergar nela apenas preconceito é limitar-se a ver a superfície. A metáfora da governadora merece mais atenção. Sabe-se quem são os pais do tal bebê - a não ser que a Justiça decida que as provas conseguidas são frágeis - “os japoneses”. Para mim, quando ela diz que “Na minha volta não havia nenhum japonês que valesse a pena”, está dizendo que está solitária no governo e nem confia muito em quem está ali. É uma declaração tão forte que logo ela tratou de assumir a versão do preconceito e pedir desculpas e com isso manter a discussão nesse nível.
Schuster
Caro Schuster, confesso que tudo me espantou, tanto a primeira declaração - quem está acostumado a acompanhar campanhas eleitorais sabe que esses arroubos são comuns em candidatos, algo similar a jogar pra torcida. A frase corriqueira teria sido algo bem popular: “Esse filho não é meu, toma que o filho é teu”, por aí.
Agora, assumir que chamou o sujeito de japonês como ofensa - só pede desculpa quem ofende, voluntáriamente ou não - denota algo que talvez tenha passado despercebido: racismo. Considerando-se que o Rio Grande do Sul tem a triste fama de ser um dos estados mais racistas do país - fomos os últimos a libertar os escravos, por exemplo - o episódio, partindo de quem partiu, demonstra imaturidade. Era o que se se suspeitava pelos episódios anteriores, e que agora ficou bem escancarado. Só mesmo levando pro lado do bom humor. Se bem que quando um político cai na mão dos humoristas, fica marcado pra sempre. A meu juízo, é muito emblemático esse episódio. Só falta ela dizer que, com o dinheiro do Banco Mundial, seu governo vai deixar de comer arroz de china pobre. E depois pedir desculpa ao governo de Pequim. Rá!
Abração.
O que dá para dizer para Maria Pantalha Antonieta:
-Tora!Tora!Tora!
Tacho, Maria Pantalha Antonieta!
Pronto. Agora tá na boca do povo.
Vai dar em invasão do Palácio…
Será que lá tem brioches?
Abração.