Roubo de Maçanetas, a chinelagem da moda
Enviado em 26 de Junho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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A mais recente safadeza dos ladrões na capital gaúcha é o roubo de maçanetas dos portões de casas e edifícios. A seguir, as informações enviadas pelo amigo Clovis Heberle, ex-colega em Zero Hora e que produz o blog Correcaminos:
"A foto acima é da fechadura da grade da minha casa, na rua Santos Neto, Petrópolis, Porto Alegre. Ela está sem a maçaneta do lado de fora, cortada com serra. O chaveiro me disse que é a nova onda dos ladrões da cidade. Ele informa que trocou quase 200 fechaduras, só no bairro.
Os ladrões vendem como ferro velho - R$ 8,00 o quilo. Dez maçanetas pesam mais ou menos um quilo. A cada cem maçanetas, 80 reais no bolso, no mole. De quebra, ainda levam tampas de bueiros e outros artefatos metálicos que achacam nas ruas.
Para reduzir - até acabar - a rapina de metais, fios de energia elétrica e de telefone (semana passada estavam roubando 80 metros de fios da Brasil Telecom), seria preciso controlar o comércio de ferro-velho. As empresas só poderiam comprar de pessoas identificadas, com identidade, CPF, endereço etc.
Se para comprar uma garrafa de vinho no supermercado com cartão de crédito eu preciso me identificar, por que este comércio rola frouxo, assim como os desmanches de carros, onde vão parar 99% dos veículos roubados?
Ah, o chaveiro me aconselhou a não trocar a maçaneta:
- Em uma semana eles vão lá e levam. Deixa assim, poupa a tua grana.
Pra quem não sabe, Petrópolis é um dos bairros mais residenciais e seguros de Porto Alegre. Esse é o cotidiano da cidade de ‘maior qualidade de vida do país’. Socorro!
Não li isto em lugar nenhum. Antigamente isto era notícia
Tacho, mataste a charada. Exatamente por isto é que fiz questão de publicá-la. A violência está banalizada a tal ponto que fatos como esse sequer são noticiados. Tamanha omissão me faz lembrar o célebre poema de Berthold Brecht:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
Chinelagem ao extremo! E mais: pouco antes de sair do Brasil, vi um sujeito roubando os numeros de uma casa, certamente para vender. Onde? numa travessa da Carlos Gomes, a mesma onde meu carro foi arrombado ao meio-dia de uma quinta-feira de sol. :S
Ahaaaa,
esqueci de contar que o edifício do rapaz que consertou a minha fechadura teve os números arrancados (e a maçaneta também).
E que a minha rua, de três quadras, tem dois “vigilantes”, um deles a 30 metros da minha casa. Mas este já é outro papo.
Clovis, veja só qual é a matéria que abre a página 46 do jornal Zero Hora de hoje: “Ladrões levam até maçanetas na Capital”.
Com foto e tudo!
Mais uma pauta que a gente emplacou na ZH.
Ou seja, é impossível brigar com a notícia.
Forte abraço.
E foi a manchete do Diário Gaúcho, que produziu a reportagem. Olha só a força do teu blog!
Abraço