Essa lei pode botar até padre na cadeia
Enviado em 24 de Junho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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O melhor cronista de Polícia de Porto Alegre, meu amigo Wanderley Soares - que festejou 69 anos em 15 de junho, mesmo dia e cidade onde nasceu o inacreditável Paulo Sant’Ana - escreveu um tópico em sua apreciada coluna, publicada no jornal O Sul, que tem jeito de deboche, mas pode virar tragédia.
Tudo porque o presidente Lula transformou em lei a MP 450, que prevê multa, suspensão da carteira ou até prisão para o motorista que estiver alcoolizado.
Reproduzo abaixo trecho de sua última coluna, cuja fina ironia beira a galhofa:
"As blitze, ou seja, o sistema alemão de policiamento, continuará, inclusive com maior rigor. Não sei de onde sairá o maior rigor, pois o efetivo da Brigada é, a cada dia, menor, na proporção direta das missões que assume. Mas é certo que todas as pessoas que dirigem passaram a ser suspeitas de pinguços.
Um padre católico, por exemplo, que for pego dirigindo logo após a celebração da missa em que a liturgia lhe obrigou a beber sangue de Cristo, poderá entrar na estatística das abordagens como motorista alcoolizado", adverte com extrema sabedoria o atento Wanderley Soares.
A lei prevê que o índice tolerado inicialmente será de 0,2 grama por litro de sangue, o equivalente a um cálice de vinho para uma pessoa de 80 quilos.
Aí é que vem o x da questão. Ocorre que, pela escassez de mão-de-obra, há domingos em que alguns padres celebram muitas missas, e em locais diferentes. Eles rezam em uma igreja, pegam o carro e se deslocam até outras paróquias. E assim sucessivamente, no decorrer do dia, a fim de que os católicos de diversas localidades possam cumprir com suas obrigações perante as leis de Deus.
Agora visualizem a cena: às 20 horas, depois de ter rezado meia dúzia de missas em um domingo qualquer, o sacerdote é detido em uma barreira e obrigado ao teste do bafômetro. Ele poderá ter bebido algo equivalente a seis taças de vinho. E se o policial for ateu ou ignorar como se dá o ato litúrgico? Dirá que a lei é para todos e prenderá o padre com roupa de paisano.
Se tal fato ocorrer, esse homem de Deus passará sério perigo misturado aos malfeitores. E até que alguma autoridade perceba a gravidade do erro, das duas, uma: ou o santo homem converte algum ‘pecador’ ou pode perder a ‘dignidade’. Isto porque, na péssima tradição das cadeias, ninguém é dono do próprio corpo. Essa vai ser de doer. Que mico!
Sugiro, pois, uma retificação, antes que o presidente Lula seja excomungado. Taí a prova de que a tal lei draconiana tem furo e precisa de ajuste. Que baita tiro no pé!
Bem que Chico Buarque advertiu: falta o Ministro do ‘Vai dar Merda’ no governo.
Emanuel,
ainda bem que eu gosto também de Coca-cola. Sou Flex.
Tacho
Tacho, essa lei foi feita especialmente pra me botar na cadeia. Só que chegou três anos atrasada, quando tomei duas decisões que vão me fazer durar pelo menos mais uma década nesse plano: parei de beber e de dirigir. O que é uma façanha, pois sou do tempo em que tudo era passageiro, menos cobrador e motorneiro.
Forte abraço.
Emanuel, quem faz tratamento com remédios homeopáticos, que têm na base o álcool?
Pô, seu guarda, comi só dois bombons de cereja com licor!
Decididamente, continuamos a viver numa sociedade de extremos.
A propósito, Breno, reproduzo uma frase do ex-ministro do STF, Célio Borja, que consta na coluna do Paulo Sant’Ana de hoje: “Vivemos um furor regulatório que está nos levando a um estado policial.” Ou seja, tanta gente lutou contra a ditadura militar para cair em uma ditadura de ex-guerrilheiros. É o fim da picada.
Abraço, irmão.
Tem um conhecido nosso que bebia feito um peru na véspera. Uma noite ele quase matou a nós dois, na frente do Laçador (mas isto foi no tempo em que o Laçador era um piazito). Bebia tanto que, lá pelas tantas, o dono do boteco botava um copo d’água no balcão, ele dava um talagaço e ficava mais bebum. Daí ele entrou pros AAs e veio com uma tese interessante: “O álcool, é transformado em açúcar no organismo. Então, comam, balas, chocolates(nada a ver com o Fernando Pessoa) antes de dirigir. Ninguém nunca foi em cana por comer chocolates ou balas”.
Claro q
claro que ele arrumou uma diabetes…
Paulinho, o assunto é sério, embora dê vontade de levar na gozação. Veja esse texto que recebi do Breno, retirado da Folha de S.Paulo: “Dois bombons com recheio de licor podem ser o suficiente para que o motorista leve uma multa de R$ 955, sete pontos na carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir por um ano, de acordo com a nova lei que regulamenta os níveis de tolerância de álcool.
O teste, realizado em um bafômetro da Polícia Militar, foi feito imediatamente após o consumo dos doces - o que, segundo a PM, pode ter sido a causa de o equipamento ter acusado o alto teor (0,21 mg de álcool por litro de ar expelido).”
Viu como logo, logo, vai dar merda?
Abraço, irmão.
Emanuel
Só agora fui ler teu artigo, envolvida que estou no Sarau do dia 9 de julho (veja convite no meu blog). Agora, lamento discordar da maioria. O que é bom pq, às vezes, o que não é o caso dos excelentes colegas que escreveram acima, a unanimidade pode ser sinal de ignorância. REPITO: NÃO É O CASO DOS JORNALISTAS QUE POSTARAM ANTES DE MIM. Sim, a lei é severa ? É. Sim, terá que sofrer algumas modificações, levando em conta o caso do padre ? Sim. Sim, passamos de uma ditadura militar para uma de ex-guerrilheiros ? Não! Absolutamente, caro amigo. E você, querido Emanuel, que admite a prática, em anos anteriores, da direção aliada ao álcool, deve saber dos males desta atitude. Acontece que existem ranços neste país que só serão corrigidos com medidas extremas. Senão, vira piada. E segue matando gente. E de gole em gole, assassina nosso irmão. E de trago em trago, despedaça famílias. Não vejo como uma ditadura uma lei que se preocupa com o coletivo, com a preservação da raça humana, com o provável fim do extermínio no trânsito. Eu, como parte desta sociedade, deste coletivo, deste país, fico muito tranqüila ao saber que o presidente está aprovando leis que podem significar o futuro da minha família. Só quem tem filha adolescente que não bebe (AINDA E TOMARA QUE NUNCA), como eu e outros neste país de diferenças e impunidade, para respirar mais aliviada ao saber que, finalmente, os motoristas que dirigem e bebem serão finalmente punidos.
abs
Bueno, interessante o caso do padre, visto que a igreja é tão fechada que pouca gente sabe que ela vive enrolada com problemas de alcoolismo entre sacerdotes. Talvez seja um bom motivo para deixar cair mais um dogma da igreja católica. Ah, Emanuel, aproveitando, discordo quando tu chamas o Alain Prost de “narigudo e mau-caráter”. para mim, ele foi o melhor, nunca vi nada de errado no caráter dele e eu, como nariguda, não posso aceitar a discriminação. Assinado, Marcia, a nariguda.
Marcia Martins: dou total razão à lei seca. Só eu sei as sandices que cometi quando bebia todas e saia alucinado pelas ruas, totalmente fora da casinha. Não matei ninguém e nem morri por puro milagre. Há três anos tomei duas sábias decisões: parei de beber e de dirigir. Só por isso estou vivo, graças a Deus. Agora, a aplicação da lei tá confusa, tanto que a própria ZH repetiu essa pauta alguns dias depois, contando a história de um padre que rezava diversas missas aos domingos e estava apavorado com a perspectiva de se flagrado ao se deslocar de uma paróquia a outra em seu carro, exatamente como escrevi.
Beijo, querida.
Marcia Camarano: vou contar só um fato para mostrar o quanto o Alain Prost é mau caráter: em um dos contratos que assinou (não lembro por qual das grandes equipes, fez constar a cláusula vetando que Ayrton Senna fosse contratado).
Ora, cadê a livre concorrência? Coisa de mau-carater.
E tu não és nariguda, amor. Teu narizinho é bem bonitinho.
Beijão.
Essa discussão contigo sobre fórmula 1 serve para lembrar algo, para mim, fundamental, e que foi solenemente desprezado pela imprensa brasileira, acometida de um nacionalismo desmedido naqueles idos. Não sou contra Ayrton, só acho que ele se deixou levar pela vontade a qualquer custo de também se tornar um tetra. Vamos ao que quero lembrar: quando o Prost anunciou que estava se retirando das pistas, fez isso ressaltando que as equipes estavam muito a fim de serem vencedoras, mesmo colocando a vida dos pilotos em risco. Falou claramente sobre os perigos da nova Williams. Para bom entendedor, o recado para Ayrton era: não vai que é fria. o resultado todos sabemos, mas ao contrário do resto do mundo, os brasileiros foram “poupados” desse fato. Beijo da Marcia Camarano, a nariguda II.
Marcia: lembro bem o que ocorreu naquele período - afinal acompanho F-1 desde que Jim Clark era vivo (1967/68), e vi, praticamente, todas as corridas desde que a Globo passou a transmiti–las, no início dos anos 70. O Prost deixou a Williams no ano em que foi retirada uma série de dispositivos eletrônicos, fato que obrigou as equipes a se adaptarem bruscamente. Os protótipos ficaram mais ‘nervosos’, e difíceis de pilotar. De todos, o que melhor se adaptou no início daquela temporada foi a Benetton, pilotada exatamente pelo jovem Michael Schumacher, enquanto Senna sofria em cima de uma Williams ‘inguiável’, tanto que rodopiou na abertura da temporada, no GP do Brasil quando perseguia Schumacher. Na véspera do GP de Ímola, Senna reclamou da altura da barra de direção, que foi adaptada às pressas, tendo sido cortada e recebeu uma solda. Quem rever a imagem do acidente vai constatar que a Williams de Senna saiu reto em plena curva Tamburello, algo impensável para alguém como Senna. Houve uma falha mecânica que o matou, tanto que o dono e o engenheiro da equipe sofreram um longo processo na Itália.
Senna era brilhante, como foi Jim Clark, para mim os dois maiores de todos os tempos. Schumacher estava em um patamar um pouco inferior, como Prost. Ambos tiveram a sorte de estarem em equipes no auge (isso tem muito em F-1). Gosto de Senna, não por patriotada - tu me conheces bastante pra saber que não sou do tipo, ao contrário, tanto que até gostei da vitória dos equatorianos da LDU ontem contra a arrogância de Renato Gaúcho, no Flu.
Mas Senna foi o melhor - há várias enquetes entre especialistas que volta e meia são feitas e ele, invariavelmente é considerado o melhor de todos os tempos. Gosto do assunto, querida, e vamos voltar a ele no post que pretendo escrever domingo, depois do GP da Inglaterra. E, olho no Lewis Hamilton, que tem um estilo de pilotagem arrojado como os grandes nomes da história.
Beijão.
Belo, preferências a parte, tu só enriqueceste a informação que eu tinha. Aquela foi uma temporada assassina, puxada justamente pela Williams. Devo te dizer que, após a morte do Gilles Villeneuve e, mais tarde, com a aposentadoria do Alain Prost, deixei de acompanhar o esporte. Ficou para a história. Um beijão da Marcia Camarano