Felipe Massa, com pinta de campeão
Enviado em 22 de Junho de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
Em 2005, o compositor italiano Cesare Cremonini gravou uma canção intitulada Marmelata, onde há um trecho que diz: “Ah! Desde que Senna não corre mais… não é mais domingo”. Pois hoje, 14 anos depois da morte do mais fenomenal de todos os pilotos, o Brasil teve um domingo como nos bons tempos de Ayrton.
Massa lidera o Mundial pela primeira vez
Felipe Massa conquistou um feito que nem o fantástico Ayrton Senna ou o pioneiro Emerson Fittipaldi conseguiram. Até então, o único brasileiro com a França em seu currículo havia sido Nelson Piquet.
Nelson Piquet: vitória na França em 1985
Quando cruzou à frente, no circuito de Magny-Cours, Felipe Massa assumiu a liderança isolada do Mundial de Pilotos, fato que nenhum brasileiro havia obtido desde 1993, ano em que Senna chegou a liderar no começo daquela temporada que foi vencida pelo seu maior rival, o narigudo francês Alain Prost.
Bandeirada para Massa em Magny-Cours
Embora apenas oito das 18 provas tenham sido disputadas, é provável que eu quebre a cara, pois escrevi em 23 de março, “Não vai ser desta vez, de novo“, depois que Massa cometeu um erro estúpido na Malásia, enquanto Kimi Raikonnen, da Ferrari, e Lewis Hamilton, da McLaren, disparavam na liderança.
GP da Malásia: Massa erra e abandona
No entanto, passadas seis provas admito: se há um favorito para o título, é Felipe Massa. Ao mesmo tempo em que Raikonnen volta a ser prejudicado pela fama de azarado - e que ano passado deu um tempo ao finlandês - o britânico da McLaren repete uma besteira após outra, para desespero de Ron Dennis.
Azar de Raikonnen: a Ferrari danificada
Ainda falta muito chão pela frente e em corridas de Fórmula-1 tudo pode acontecer - ainda mais esse ano em que os bólidos não têm controle de tração. Mas pela forma consistente com que pilotou nas últimas provas, pode-se afirmar: se mantiver a atual regularidade e correr de olho nos pontos, o título será de Felipe Massa.
Raikonnen: seis pontos atrás de Massa
Há dois anos, como segundo piloto da Ferrari, Massa era obrigado a trabalhar para o multicampeão Michael Schumacher. Ano passado, com o alemão aposentado, cometeu bobagens nos primeiros GPs e o título caiu no colo de Kimi Raikonnen. Esse ano, recuperou-e de um início ruim e corresponde à expectativa de seu principal defensor, o presidente da Ferrari, Luca de Montezemolo.
Antiga rotina: Schumacher 1º; Massa 2º
Outra razão de alegria foi o sétimo lugar de Nelsinho Piquet. Depois de um início desastroso, em que sua substituição chegou a ser cogitada, marcou pontos pela primeira vez (é o 18º brasileiro graduado na história). Melhor ainda: superou na pista seu companheiro da Renault, o espanhol bicampeão mundial Fernando Alonso.
Nelsinho roda a roda com Kovalainen
“Nelson fez uma corrida muito boa, sendo consistente e agressivo, e estou muito satisfeito de vê-lo somar seus primeiros pontos hoje”, afirmou o exigente Flávio Briatore, gerente da equipe Renault, que possui em seu currículo ter administrado Michael Schumacher e Fernando Alonso no início de suas carreiras na F-1.
Façanha: Alonso ficou atrás de Nelsinho
Resumo da ópera: a não ser que eu quebre a cara outra vez, finalmente temos boas razões para acreditar que nas dez provas que faltam no calendário da Fórmula-1 de 2008, para os torcedores brasileiros voltará a ser domingo, ao contrário do que diz a música de Cesare Cremonini.
Com Massa, a volta aos bons tempos
Pois Emanuel, também me empolguei com a vitória do Massa, ao melhor estilo Piquet, Senna e Moco. Mas minha empolgação diminuiu no primeiro pit stop para pensar um pouco: será que o Raikonnen vai deixar barato? Parece que não há regalias de primeiro piloto na Ferrari. Acho difícil. Raikonnen foi contratado para manter o ciclo de vitórias da era Schumacher, quebrado duas vezes consecutivas pelo Alonso (e ai, leia-se McLaren-Mercedes). Foi trazido como primeiro piloto, caso contrário por que contratá-lo? Como vimos o filme de sacanagens contra pilotos brasileiros (Piquet X Mansell e Senna x Prost), é apostar e torcer muito pela ousadia do moleque Massa. Não tem um bola nos pés, mas com as mãos faz manobras desconcertantes e arrojadas. E como é bom ver a F-1 com pilotos dentro carro: salve Massa, Alonso, Kubica, Kovalain e o veterano Fisichella.
Breno: dá pra levar fé no Massa por algumas razões. A primeira é que ele, de fato, está sendo arrojado e constante, sintoma de maturidade em um piloto. A segunda é que, além de ter apoio explícito do presidente da Ferrari, é querido pelo resto do time, e isso pesa muito. Na temporada passada houve alguns erros bobos da equipe, que o prejudicaram e ele ficou fora da disputa mais cedo, embora tivesse boa parte da culpa. E há outra questão que pode ser decisiva a seu favor: Raikonnen não deve permanecer na Ferrari quando finalizar o atual contrato. O finlandês não gosta de ser pressionado, é um bom vivant, gosta de festa, de beber e já disse que prefere correr rali (como a maioria dos bons pilotos finlandeses). E, finalmente, a própria Ferrari prefere que ganhe o Massa, pois dois títulos mundiais seguidos, conquistados por dois pilotos diferentes é a comprovação de que bom mesmo é o carro.
Estou à vontade pra apostar que desta vez o Massa desembesta porque cheguei a pensar que ele não daria o pulo do gato, mas a vitória na França, algo com que eu sonhava há tanto tempo, tirou qualquer desconfiança que tinha sobre a categoria do nosso piloto.
Posso estar enganado, mas esse ano o título tá na mão do Massa.
Forte abraço, irmão.