De Roman Polanski para a pequena Tess
Enviado em 6 de Abril de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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Somos movidos por sonhos. A graça da vida é torná-los realidade.
Melhor ainda se podemos contá-los como se fosse o roteiro de um filme.
E, quando um dos personagens envolvidos no enredo é o genial cineasta Roman Polanski, pode virar uma lembrança inesquecível.
Roman Polasnki dirige “O Pianista”
Foi esta a forma que encontrei para narrar uma história memorável, em que a advogada Marinês Simas e o jornalista Nico Noronha conseguiram cativar o cineasta de origem polonesa, Roman Polanski, um dos maiores da Sétima Arte.
Marinês e Nico se conheceram em 1980, na revisão do jornal Zero Hora. A Marinês já tava lá quando chegou o Nico, ex-milico no QG da Rua da Praia, onde serviu com o cineasta Carlos Gerbase, seu colega na Comunicação da PUC.
A paixão por filmes foi uma das primeiras afinidades do jovem casal, que vivia no escurinho dos cinemas, arrebatados pelos filmes dos grandes diretores.
Em 1990, grávida de sete meses, a Marinês acompanhou o Nico na bateria de exames que ele fez para a cobertura do Mundial da Itália. Aquele barrigão levou alguém a sugerir uma ecografia, o que ela não havia feito em 1983 quando nasceu o primogênito Vinícius, músico de 25 anos e jornalista como o pai.
“Vais ter que trazer roupas cor-de-rosa da Itália”, avisaram ao Nico. Felizes, os dois saíram da clínica pisando nas nuvens. No caminho, escolheram batizá-la com o nome de Tess, personagem de um belíssimo filme de Roman Polanski.
Tess veio ao mundo no dia 9 de setembro de 1990, para a felicidade do casal e do irmão.
Durante muito tempo gastaram solas de sapatos pelas locadoras e até mesmo na distribuidora, em busca do cartaz do filme para mostrar à filha no futuro. Em vão.
Em 1991, quando a Marinês leu no jornal a notícia de que Roman Polanski iria presidir o Festival de Cinema de Cannes, teve a idéia de escrever-lhe uma carta em francês. E, na maior cara-de-pau, pediu ao genioso diretor o cartaz devidamente autografado do filme.
A Marinês acreditava. E o Nico achou graça.
A pequena Tess abre o sorriso
“Ela dizia na carta que o nome da nossa filha era totalmente inspirado em “Tess”, que éramos apaixonados pelo cinema que ele fazia, e mandou a tal correspondência para a organização do Festival de Cannes”, recorda o Nico.
- Quando ela me contou, dei boas gargalhadas. Depois, juntei minhas tralhas e fui para o Chile participar da cobertura da Copa América. E esqueci do assunto.
A chance dessa carta pedinchona chegar às mãos de Polanski existia; afinal a França é um país civilizado, mas a de obter resposta era equivalente a zero.
Polanski, um dos maiores diretores da história do cinema, é genial, mas totalmente fora da casinha. Ficaram famosas as brigas com a atriz Faye Dunaway durante a filmagem do clássico “Chinatown”, em 1974. Em 2007, na homenagem aos 60 anos do Festival de Cannes, durante o lançamento de “Cada um com seu cinema“, em que 36 diretores - entre eles, o brasileiro Walter Salles - contam 33 histórias, uma a cada três minutos, irritou-se com os jornalistas: “É uma vergonha ouvir perguntas tão pobres e vazias. Francamente, vamos sair daqui e almoçar”, disse.
Depois do relatos de alguns episódios marcantes, fica fácil entender as razões de sua aversão pela imprensa em geral. E não esconde. “Sinto que perdi o direito à inocência”, diz.
- Sei que sou amplamente considerado anão mau e devasso. Meus amigos - e as mulheres de minha vida - não estão de acordo”, declara na última página da autobiografia. (…) Estive no desaguadouro de tantas atrocidades, tantos equívocos e completas distorções, que as pessoas que não me conhecem têm uma idéia inteiramente falsa da minha personalidade. Os rumores, atrelados à força dos meios de comunicação, criam uma imagem das personalidades públicas e se agarram a ela para sempre - uma espécie de caricatura que passa por realidade. Sei o que sou, o que tenho e não tenho feito, como as coisas realmente foram e são. (…) Essa história também merecia ser contada”.
Próximo de completar 75 anos (18/8/1933), sua vida é pontuada de tragédias. Pragmático, considera tão absurdo lamentar o passado quando prever o futuro.
Embora tenha nascido em Paris, seus pais (um judeu polonês e uma católica russa) retornaram à Polônia antes de iniciar a Segunda Guerra Mundial. Na invasão nazista, sua mãe foi presa e executada em Auschwitz. Roman escapou da morte quando seu pai o ajudou a fugir do Gueto de Cracóvia no dia em que enviaram os homens para um campo de concentração.
As tropas nazistas invadem a Polônia
“Meu pai me acordou antes da aurora. Levando-me a um lugar escondido bem atrás da casa de guardas da SS, friamente cortou o arame farpado com um par de alicates. Deu-me um abraço rápido e eu me esgueirei por entre a cerca. Pouco antes da ponte vi um grupo de prisioneiros, entre eles o meu pai. Gesticulei e então ele sibilou com o canto da boca: “Cai fora!” Essas duas palavras me imobilizaram no meu caminho. Vi a coluna retirar-se e então virei-me. Não olhei para trás.”
Esse episódio está contado na página 28 do livro “Roman, de Polanski”, publicado em 1984, atualmente esgotado. Foi uma gincana até encontrá-lo em um sebo da rua Riachuelo. Valeu o esforço, pois como disse um crítico: “Quem escreve bem, não tem dificuldades de transformar autobiografias em obras atraentes”.
Tudo nele é comovente, da dedicatória - “Para meus amigos passados, presentes e futuros” - à última página. Vou reproduzir trechos dessa incrível saga e acrescentar os últimos 25 anos:
“Desde quando posso me lembrar, a linha entre a fantasia a realidade tem estado irremediavelmente embaçada. Levei uma vida inteira para compreender que essa era a chave de minha própria existência. Isso me trouxe mais do que dores de cabeça, conflitos, desastres e decepções. Também destrancou portas que, de outro modo, teriam ficado fechadas para sempre. Desde uma idade tenra, percebi que eu habitava um mundo separado e de faz-de-conta, que era só meu. Não podia assistir a um filme sem me ver como o astro, ou melhor ainda, o diretor por trás das câmeras”. (Pág. 7)
A paixão pelo cinema ocorreu durante esse período solitário e miserável. Foi acolhido por pessoas a quem o pai havia repassado todo o dinheiro antes de ser preso. O relato do pequeno Roman é de chorar. Às vezes, quando perambulava pelas ruas, os nazistas atiravam nele pelo prazer de vê-lo fugir. Descobriu um refúgio seguro nas salas de cinemas vazias porque os poloneses evitavam entrar, uma vez que os filmes exibidos eram todos alemães.
“Tylko swinie siedza w kinie” (Só os porcos vão ao cinema). De acordo com o slogan da resistência pichado nas paredes dos cinemas de Cracóvia, eu era um porco obstinado. Logo conheci cada cadeira envernizada de cada um dos cinemas de Cracóvia. O cinema passou a ser minha paixão dominante – minha única saída para a depressão e o desespero que tão freqüentemente me esmagavam.” (Pág. 29)
Apaixonou-se definitivamente pela arte do cinema.
“As fitas estavam se tornando absoluta obsessão para mim. Eu ficara escravizado a tudo que tinha conexão com o cinema – não apenas as próprias fitas, mas também a aura que as cercava. Eu amava o retângulo luminoso da tela, a vista do feixe de luzes cortando a escuridão desde a cabine de projeção, a sincronização milagrosa de som e visão, até o cheiro empoeirado das cadeiras dobráveis. Acima de tudo, eu ficava fascinado pela própria mecânica do processo.” (Pág. 30)
Em 1945, quando a guerra acabou, reencontrou o pai. Só então soube que sua mãe havia morrido em um campo de concentração. Em 1950, concluiu um curso técnico, por exigência do pai, e tornou-se ator no Teatro da Cracóvia.
Seu início no cinema ocorreu por um convite para atuar no primeiro longa metragem do diretor Andrzej Wajda, quando tentava escapulir do Exército.
“Estou solicitando adiamento a fim de ingressar na Escola de Circo”, disse aos membros da junta militar. “Está faltando palhaços para eles?”. Foi salvo graças ao filme de Wajda.
Wajda dirigiu Polanski (de pé) em “Geração”
“Os que nunca viveram sob um regime comunista não podem ter noção do que era a indústria polonesa de cinema quando Wajda, então com 27 anos, aventurou-se em seu primeiro filme de longa metragem, logo depois da morte de Stalin. No início da década de 50, o controle do Estado era absoluto. Roteiros eram vetados por burocratas antes que a verba para a produção fosse concedida, decidiam se um filme seria ou não liberado, decretavam cortes e mudanças no diálogo. Não era incomum trechos inteiros serem refilmados por ordem das autoridades.” (Pág. 86)
Livre do Exército, o jovem Roman Polanski produziu oito curta-metragens entre 1957 e 1962:
Assassinato (57), O Sorriso (57), Acabando com a Festa (57), Dois Homens e um Guarda-Roupa (58), A Lâmpada (59), Dois Anjos caem (59), O Gordo e o Magro (61) e Mamíferos (62). Foi um período difícil, frente à rigorosa censura do governo.
Roman: o início em curta-metragem
Foi nesse contexto que Polanski criou sua primeira-obra prima, “A Faca na Água”, em que até o Primeiro-Secretário do Partido Comunista, Wladislaw Gomulka, meteu o bedelho.
O filme teve publicidade adversa e foi mal lançado na Polônia, mas recebeu o Prêmio da Crítica do Festival de Veneza, em 1962.
Polanski atuou em “A Faca na Água”
Seu filme seguinte foi “Repulsa ao Sexo”, realizado na França com a deusa Catherine Deneuve. Tratava da desintegração mental da personagem. “As alucinações mais simples eram as mais difíceis de filmar“, escreveu Polanski. “Eu odeio fazer isso com uma mulher bonita”, queixava-se o diretor de fotografia Gil Taylor.
Trabalhar com Catherine era como dançar um tango com um parceiro super-hábil. Ela sabia exatamente o que eu desejava dela no set. Entrava direto no âmago do papel – tanto que quando a filmagem terminava, ela própria parecia alheia e até um pouco aloucada.
Apesar do absoluto profissionalismo, Catherine Deneuve tinha uma inibição: não queria aparecer nua, ou mesmo seminua, e insistiu em usar alguma coisa sob sua camisola diáfana. Objetei contra as calcinhas, mas ela insistiu numa malha. Entretanto, quando chegou a hora, fez tomadas apenas com a camisola.” (Pág. 184)
Catherine Deneuve: apenas de camisola
“Repulsa ao Sexo” recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1965 e teve uma excelente bilheteria, principalmente na Inglaterra, onde dirigiu seu próximo filme, ‘Armadilha do Destino’ (Cul-de-Sac). “Fazer ‘Repulsa ao Sexo’ havia sido um meio para um fim: ‘Armadilha do Destino”, reconhece Polanski. “Ele foi realizado em Holy Island, uma das fundações monásticas mais antigas da Inglaterra. Lugar estranho, com a reputação de ser assombrado por inúmeros fantasmas e uma comunidade de 300 habitantes: criadores de ovelhas, pescadores e caçadores clandestinos.” No final deu tudo certo: “Armadilha do Destino” conquistou o Urso de Ouro em Berlim.
Seu primeiro grande sucesso comercial, “A Dança dos Vampiros”, produção da MGM, teve no papel principal a atriz Sharon Tate, por quem se apaixonou em Londres, local que dividiu as filmagens com uma estação italiana de esqui.
“Levei o filme para mostrá-lo em Nova York a alguns executivos da MGM. Todo mundo estava ao telefone ou em reunião. Ninguém tinha tempo para ver meu filme. Quando finalmente consegui organizar uma exibição, ela foi presenciada por um vice-presidente velhinho, com forte sotaque russo. Ele ficou ao telefone oito ou dez vezes durante o filme. Fiquei espantado com o tipo de gente com quem estava lidando. Aqui estava um projeto no qual havia sido gasto mais de 2 milhões de dólares. Hollywood é assim: uma criança mimada, que grita pela posse do brinquedo e depois o joga fora do carrinho de bebê.” (Pág. 226)
Foi quando “O Bebê de Rosemary” entrou em sua vida, por um telefonema do vice-presidente da Paramount, Bob Evans. Ele queria que Polanski fosse imediatamente para Hollywood:
“Quando cheguei lá, disse-lhe que minha primeira experiência de trabalho com uma companhia norte-americana havia sido um desapontamento completo. Bob não fez esforço algum para defender a MGM. Então falou:
- Antes que você leia outra coisa, eu gostaria que desse uma olhada nisso.
De volta ao quarto do Beverly Hills Hotel, lutei com a grande amostra de papel amarelado. O título era “O Bebê de Rosemary”. Minha reação quanto às primeiríssimas páginas foi:
- Ei, o que é isso, algum tipo de novela?
Mas li o resto do livro de uma assentada. Ao acabar, meus olhos estavam saltando para fora das órbitas. Na manhã seguinte, quando Bob Evans me chamou e perguntou minha opinião sobre o livro, fiz-lhe uma crítica entusiasmada.
- Eu esperava isto. Você quer fazê-lo? – perguntou.
- Sim – eu disse – quero fazê-lo.
Eu estava aprendendo uma regra de ouro de Hollywood. Você tinha que martelar enquanto o ferro está quente, ou os manda-chuvas se chateavam e perdiam o interesse. “O Bebê de Rosemary” começou com uma largada modelar nesse sentido: um sim rápido de minha parte, uma pronta concordância da Paramount em que eu escrevesse o roteiro e a pré-produção começando a trabalhar logo depois. A realidade era que o romance de Ira Levin seguia um modelo cinematográfico. Nada havia das áreas cinzentas ou dos pontos fracos, que os autores tendem a camuflar com prosa erótica ou truques de estilo quando falha a linha de sua história. O livro era um romance policial incrivelmente bem construído.” (Pág. 228)
“O Bebê de Rosemary”, com a atriz Mia Farrow, foi um sucesso estrondoso. Durante as filmagens, porém, ocorreu um fato bastante desagradável: a separação entre Mia e Frank Sinatra, com quem ela era casada na época.
“Tive um relacionamento maravilhoso com Mia. Apesar de suas exuberantes maneiras californianas, ela demonstrou ser tão profissional quanto sua
Roman Polanski orienta Mia Farrow
linhagem – segunda geração de Hollywood, filha de Maureen O’Sullivan e do diretor John Farrow. Os únicos problemas não diziam respeito à minha direção. Sem muita demora, mesmo no início da filmagem, “O Bebê de Rosemary” começou a atrair a imprensa. Parecia que Sinatra não gostava que sua mulher recebesse tanta atenção por seus próprios méritos. Havia também o problema de completar o filme a tempo de engrenar a programação pessoal de Sinatra. Quando ficou claro que não terminaríamos até depois do Natal, ele exigiu, raivosamente, que ela simplesmente abandonasse o set. Quando chegou o tempo de recomeçar a filmagem, nada de Mia. Todos os olhos se voltaram em direção do seu vestiário cor-de-rosa. Bati à porta. Não atendeu. Sem resposta à minha segunda batida, simplesmente entrei. Ela estava lá, soluçando de coração aberto. Depois conseguiu dizer que vieram informá-la de que Sinatra abrira um processo de divórcio. O que mais a magoou foi que Sinatra não se havia dignado a falar-lhe pessoalmente, tinha apenas mandado um dos seus lacaios – um gesto desumano, que não o valorizou para mim.” (Pág. 236)
Foi quando Polanskii recebeu o conselho de não se precipitar por coisa alguma:
- Não há nada de errado em não se fazer nada.
Começou a viajar com Sharon Tate para Londres e Paris – “agora que podíamos fazê-lo” – para negócios e também por prazer. Decidiram casar em Londres –“aquele era meu verdadeiro lar e onde vivia a maioria dos nossos amigos” – em 20 de janeiro de 1968, dias antes do 25º aniversário de Sharon.
Os acontecimentos históricos de 1968 na França, originados pela revolução dos estudantes em Paris, pegaram em cheio o casal Roman Polanski-Sharon Tate. Ele estreava como jurado no Festival de Cannes:
O casamento de Tate e Polanski
“Convidado para ser jurado no Festival de Cinema de Cannes de 1968, levei Sharon para Saint-Tropez em minha Ferrari vermelha, que tinha sido trazida de Los Angeles. Nem Sharon nem eu adivinhávamos a iminência da “revolução” que quase derrubou a Quinta República. Minha primeira impressão de que os acontecimentos de maio de 1968 iriam influir no Festival de Cinema de Cannes ocorreu quando François Truffaut me acordou de um sono profundo, tarde da manhã, e insistiu para que me encontrasse com ele no teatro Jean Cocteau, do Festival. Minha presença era fundamental, disse. Ele e seus amigos estavam discutindo como arquitetar a reintegração de Henri Langlois, diretor da Cinemateca de Paris, que havia sido recentemente dispensado por André Malraux, Ministro da Cultura de De Gaulle. Era uma reunião de protesto contra sua dispensa provocada pelos distúrbios de maio.
Ao chegar, encontrei a reunião em plena atividade. A sala estava repleta de jornalistas e parasitas do tipo que parece passar a vida inteira arrastando-se de festival em festival. Alguns cineastas – Godard, Truffaut, Louis Malle – também se achavam presentes e não levei muito tempo para perceber o verdadeiro propósito do encontro: não a reintegração de Langlois, mas a desintegração do próprio festival.
Polanski no júri de Cannes em 1968
- Chega de festival de estrelas! – gritou um dos oradores mais vociferantes. – Precisamos é de um festival de diálogo!
Fui convidado a falar. Organizem de qualquer modo um simpósio, eu disse, mas não se esqueçam do que aconteceu na abertura de gala deste ano. O filme inaugural tinha sido uma reapresentação de … E o Vento Levou, e quando Clark Gable apareceu pela primeira vez nas escadas, o público do festival aplaudiu desenfreadamente. O mundo do espetáculo não podia dispensar as estrelas.
Compreendi que estava desapontando Truffaut e seus aliados. Como eu havia atendido ao seu telefonema, eles deduziram que eu os apoiaria. A reunião descambou para uma confusão total. Junto com Malle, o outro único membro presente do júri, fui solicitado a sondar os demais. Desejariam eles que o festival continuasse, ou cederiam às exigências dos esquerdistas e se demitiriam por simpatia pela “revolução” de Maio?” (Pág. 255)
Foi então que se abateu sobre Polanski a tragédia que o marcaria para sempre: o assassinato de Sharon Tate. Esse fato, junto com a morte de um jovem pelos “Hell’s Angels”, no show dos Rolling Stones, no Festival de Altamont, também em 1969, é considerado um símbolo do fim do “Movimento Hippie”.
Rolling Stones no Festival de Altamont
Mais do que catarse, Polanski escreveu sua autobiografia para repor a verdade, contrariado pelas versões sensacionalistas que a imprensa publicou sobre dois acontecimentos dramáticos: o assassinato de sua mulher, grávida de oito meses, e a acusação de pedofilia, após ato sexual com uma menina de 13 anos.
Sharon Tate foi vítima inocente de um grupo de fanáticos, liderados por Charles Manson, um músico frustrado que ordenou a invasão à residência em Cielo Drive, pensando que nela ainda morava o editor de discos Terry Malcher que havia lhe negado uma chance de gravar. A casa tinha sido adquirida por Roman Polanski seis meses antes. E, novamente, o cineasta escapou da morte. Desta vez porque atrasou sua viagem de Londres a Los Angeles pela falta de um visto no passaporte.
Manson ordenou a múltipla chacina
“Adiei várias vezes minha partida de Londres para Los Angeles. Sharon e eu falávamos todos os dias ao telefone, às vezes mais de uma vez. Ela começava a ficar impaciente. A Califórnia fora tomada por uma terrível onda de calor, o que deve ter sido especialmente duro para uma mulher nas suas condições. Além disso, o bebê era esperado para dentro de duas ou três semanas e ela não queria nenhum hóspede por perto quando ele chegasse.
Não consegui pegar um avião no dia seguinte, um sábado, porque precisava de um visto dos EUA e o consulado estava fechado, mas decidi fazê-lo na segunda ou terça próximas, logo que o visto fosse conseguido.
Eram cerca de 7 da noite, hora de Londres, quando recebi a chamada de Los Angeles. Embora tenha sido Winny Chapman, nossa faxineira, quem soou o alarme após ter achado os corpos às 8 da manhã, no sábado, 9 de agosto de 1969, a cadeia de acontecimentos que levou ao telefonema foi posta em ação por Sandy Tennant, a mulher de Bill. Ela e Sharon, que eram amigas íntimas, falavam ao telefone ou se viam todos os dias. Quando Sandy discou nosso número de Cielo Drive e não obteve
O corpo mutilado de Sharon Tate
resposta, ficou preocupada. Ela sabia que alguém deveria estar em casa porque Sharon não tinha planos de sair. Tendo ouvido notícias de um incêndio nos morros ao norte de Los Angeles, ficou com medo de que alguma coisa houvesse acontecido. Sandy ligou então para Bill, que no momento jogava tênis. Ele interrompeu imediatamente seu jogo e partiu para Cielo Drive, sem nada saber.
Quando Bill chegou lá, repórteres e fotógrafos rodopiavam a cerca de 200 metros da casa; a polícia tinha feito um bloqueio de estrada e fechado a entrada com cordas. A imprensa havia sido alertada pelo seu controle de rotina das transmissões em ondas curtas da polícia. Tudo que sabiam é que tinha havido um assassinato múltiplo em uma das casas de Cielo Drive (foto acima).
Foi Bill quem primeiro identificou Sharon, Wojtek, Jay e Gibby Floger. Até então a polícia não sabia quem eram eles. Logo depois, Bill vomitou sobre a cerca do jardim. Então abriu caminho através da imprensa e precipitou-se ao telefone mais próximo.
Sua chamada chegou exatamente quando eu estava deixando a casa. Reconheci imediatamente sua voz e perguntei como estava:
- Mal.
Sua voz parecia remota, abafada. Isto era estranho porque a ligação internacional era geralmente tão boa que fazia parecer que as pessoas estivessem na porta ao lado. Ele disse:
- Houve um desastre na casa.
Pensei que pudesse estar se referindo a alguma crise doméstica dele próprio. Na época, seu casamento estava sob certa tensão.
- Casa de quem? – perguntei.
- A sua – ele disse. – Sharon morreu, e também Wojtek, Gibby e Jay. Estão todos mortos.
Uma idéia de desabamento apoderou-se de minha mente. Se eles tivessem sido soterrados, alguns ainda poderiam ser salvos. Por favor, faça com que Sharon esteja viva, pensei.
Então ele disse:
- Roman, eles foram assassinados.
Não me lembro de muita coisa mais. Segundo Gene, fiquei gemendo “Não, não”, e dando socos nas paredes, e em seguida batendo nelas com a cabeça, com tanta força que ele ficou com medo de que eu me ferisse. Gene passou os braços em volta de mim e apertou fortemente.
- Será que ela sabia o quanto eu a amava? – perguntei-lhe em polonês, repetidamente. – Sabia? Sabia?” (Pág. 265)
Na manhã seguinte, sob o efeito de tranqüilizantes, foi embarcado em um vôo da Pan Am, depois de passar pela entrada dos funcionários, em Hearthrow, diretamente para a pista. No aeroporto de Los Angeles, um funcionário da imigração entrou no avião para carimbar seu passaporte.
“Os assassinos tinham espalhado ondas de terror irracional por toda a comunidade de Hollywood. Apesar de seus temores, todas as estrelas foram ao enterro. Era como se fosse uma estréia de um filme horrível. O único ausente foi Steve McQueen, um dos amigos mais antigos de Sharon. Nunca o perdoei por isso.” (Pág. 266)
Lápide: Sharon Tate e o filho Paul Richard
No total, cinco pessoas foram massacradas no ritual satânico. Mesmo depois da prisão dos criminosos, os jornais fizeram ilações cruéis, que explicam o asco que Polasnki tem da imprensa. Alguns trechos de seu livro justificam a repugnância:
“Logo que os assassinos foram descobertos, os meios de comunicação informaram-se com os bisbilhoteiros de Hollywood e começaram a agitar alusões a orgias, festas com drogas e magia negra. O raciocínio corrente era de que Sharon e aqueles que morreram com ela eram responsáveis por suas próprias mortes, porque tinham se metido em práticas sinistras e andavam com uma turma errada.
A tese era“eles mesmos o pediram”: eram esses os filmes que vocês faziam e essa era a vida que vocês levavam. Intitulado “Por que Sharon Devia Morrer”, um artigo que apareceu na onda de assassinatos sintetizava a atitude de Hollywood e dos veículos de comunicação. Afirmava que nós havíamos buscado a tragédia para nós mesmos, ao levar um estilo de vida pervertido, dissoluto e norteado pelas drogas.
“Um romance policial fascinante” era a descrição da tragédia feita pela “Newsweek”. Dizia: “Quase tão fascinante quanto o mistério foi o lampejo que os assassinos emprestaram à surpreendente subcultura de Hollywood, representada pelo elenco de personagens. Durante toda a semana a bisbilhotice de Hollywood sobre o caso era de drogas, misticismo e sexo excêntrico.
“Time” adotou um tom similar: “Foi uma cena tão sinistra quanto tudo descrito nas explorações em filmes de Polanski, dos aspectos escuros e melancólicos do caráter humano. “Time” também alegou que os assassinatos tinham conotações rituais.
Foi preciso passar-se um ano para que a verdade emergisse, e cinco, antes que um relato minucioso fosse apresentado em “Helter Skelter (Manson – Retrato de um Crime Repugnante)”, livro de Vincent Bugliosi, o promotor público de Los Angeles. Mesmo assim, o mal feito nos dias que se seguiram imediatamente aos assassinatos nunca foi redimido. Até hoje deve haver um grande número de pessoas que só lembram do que publicaram os meios de comunicação. (Pág. 268)
Os filmes seguintes davam a entender que Polanski jamais se recuperaria do choque. Na sua adaptação do clássico de Shakespeare ‘’Macbeth‘, há uma cena em que praticamente mimetiza a morte de Sharon. A comédia de humor negro ‘’Que?'’ também parecia imersa num irreversível clima de autopiedade. O público notou e passou longe das salas de cinema. (*)
(*) Trecho retirado do site: epipoca.uol.com.br
Até que seu amigo, o ator Jack Nicholson, telefonou-lhe para dizer que havia um roteiro que precisava ler e, para dirigi-lo, bastava pedir.
“No entanto, não o fiz. Meus meses em Roma me haviam convencido que a Europa era meu verdadeiro lar e não desejava reabrir velhas feridas por voltar a Los Angeles. Eu não havia digerido minha relutância até que Bob Evans telefonou para acrescentar seu próprio apelo para que eu me juntasse a ele no filme projetado, que ele próprio deveria produzir enquanto continuava como um dos vice-presidentes da Paramount – uma concessão sem precedentes por parte do estúdio.
À minha chegada em Hollywood, Bob deu-me um roteiro volumoso para ler. Transbordante de idéias, com excelente diálogo e caracterização de mestre, ele pecava por um enredo excessivamente enroscado que girava em todas as direções. Chamava-se “Chinatown”, apesar da total ausência de locais ou personagens orientais, ele não poderia simplesmente ser filmado como era, embora escondido em algum lugar das suas 180 páginas houvesse um filme maravilhoso. Talvez tivesse sido um crítico demais devido ao meu moral baixo. Estava em Los Angeles, onde cada esquina me lembrava a tragédia. Também estava prestes a fazer 40 anos – um momento deprimente na vida de qualquer homem.” Pág. 298)
Polanski dirigiu esse filme que é considerado um clássico do cinema, ganhador do Globo de Ouro pela direção, além de 11 indicações ao Prêmio da Academia, tendo conquistado o Oscar de melhor roteiro. Também ficaram famosas as brigas com os atores principais, Jack Nicholson e a diva Faye Dunaway:
Roman Polanski atento a Jack Nicholson
“A insegurança de Faye era tamanha que cada vez que eu deixava de lado alguma sua frase insignificante, no interesse de polir uma seqüência, ela considerava isto uma afronta e me acusava de mutilar seu papel.
A coisa toda acumulou numa cena em que Faye Dunaway e Jack Nicholson encontraram-se num restaurante, depois que ele tinha levado um corte no nariz. A câmera fora colocada por cima do ombro dele, e um fio do seu cabelo atraía a luz. Era um desses casos singulares em que, se nada fosse feito, a atenção do público ficaria fixada num só cabelo iluminado.
Dueto: Jack Nicholson e Faye Dunaway
- Corte – eu disse.
Faye, sendo a única pessoa no set incapaz de ver o que estava errado, não podia compreender o motivo de toda essa confusão. Finalmente, esperando que ela nem o percebesse, peguei o cabelo e o arranquei.
Faye, que sabia praguejar como um motorista de caminhão, teve um ataque:
- Não posso acreditar! – ela guinchou. – Eu simplesmente não posso acreditar nisto! Esse filho da puta arrancou meu cabelo!” (Pág. 302)
Polanski havia se firmado novamente em Hollywood, até que sofreu a acusação de pedofilia. Chegou a ser preso durante 42 dias. Solto, abandonou os Estados Unidos em 1978 e nunca mais voltou. Nem vale a pena reproduzir sua versão.
Resumo: Polanski havia produzido uma série de fotos de Nastassia Kinski para a edição de Natal da revista francesa “Vogue“, com enorme sucesso. O editor da “Vogue Hommes”, então pediu-lhe um ensaio com garotas adolescentes, sensuais e atrevidas. Ao retornar a Los Angeles, um amigo lhe apresentou a irmã de sua namorada, que desejava ser modelo. A mãe da jovem, que morava no subúrbio de Los Angeles com o editor da revista Marijuana Montly, praticamente suplicou que ele fizesse a sessão de fotos com sua filha.
Nastassia Kinski: atriz de “Tess”
Durante a segunda das sessões, realizada na mansão de Jack Nicholson, a garota, depois de contar-lhe que praticava sexo desde os oito anos, pretextou sofrer de asma - era mentira - e pediu-lhe que fizesse respiração boca a boca.
Daí para o sexo foi um passo. No dia seguinte, a polícia foi à suíte onde estava hospedado com um mandado de prisão. O júri de instrução fez seis acusações: fornecer a menor droga controlada, cometer ato obsceno, ter relações sexuais ilegais, perversão, sodomia e estupro com drogas. Em agosto de 78, o promotor público retirou cinco das acusações e manteve a de “intercurso sexual ilegal”.
Roman Polansk (foto)i declarou-se culpado e aguardou a sentença.
Ficou 42 dias no presídio de Chino, na Califórnia, para avaliação psiquiátrica. Saiu antes dos 90 dias previstos inicialmente pelo juiz.
“A rotina da prisão era monótona e previsível. No que diz respeito à conversa, o tópico principal não era sexo ou liberdade, como se poderia esperar, mas mexericos da prisão: quem estava saindo; quem havia sido transferido de San Quentin ou da Central; o que estava acontecendo em Folson, que tinha a fama de ser a penitenciária mais dura da Califórnia.” (Pág. 360)
“À medida em que o tempo passava, com sua lentidão angustiante entorpecida pela rotina anestésica da prisão, compreendi que muitas das características da sociedade americana também estavam presentes lá dentro. Durante todo esse período, desde a hora de minha prisão até que eu abandonasse os Estados Unidos, algumas das pessoas mais amáveis que encontrei foram policiais e funcionários da prisão. Nem hipócritas nem lascivamente curiosos, eles se abstinham de me julgar. Tinham trabalho para fazer e o faziam.” (Pág. 363)
Quando saiu, a tendência era de que o juiz o condenaria à prisão por tempo indeterminado. Decidiu ir embora dos Estados Unidos. E nunca mais voltou, nem para receber o Oscar de diretor por “O Pianista“. Trata-se da história do famoso pianista judeu polonês, Wladyslaw Szpilman, que tem sua família deportada em 1942. Consegue salvar-se por acaso do comboio da morte quando um policial, músico também, o arranca do vagão. Mas é preso com milhares de judeus no Gueto de Varsóvia durante mais de dois anos e passa por sofrimentos e humilhações. Doente, solitário e faminto, deve sua vida a outro oficial alemão Wilm Hosenfeld, apaixonado pela música, que decide ajudá-lo a sobreviver. Wladyslaw Szpilman morreu em Varsóvia, a 6 de julho de 2000, aos 88 anos.
“Sempre soube que um dia faria um filme sobre o Gueto de Varsóvia, sobre esse período doloroso da história da Polônia, mas não queria que
Polanski em um dos cenários do oscarizado “O Pianista”
fosse autobiográfico. Desde a leitura dos primeiros capítulos das memórias de Szpilman, soube que “O Pianista” seria objeto de meu próximo filme.
Era a história que eu precisava: apesar do horror, positiva e cheia de esperança. Sobrevivi ao bombardeio de Varsóvia e ao Gueto de Cracóvia e quis recriar as lembranças de minha infância. Quis ficar o mais perto possível da realidade e não filmar à moda de Hollywood.”
A estatueta lhe foi entregue meses depois por Harrison Ford - ator de seu filme “Busca Frenética” (1988) - durante a abertura do Festival de Cinema de Deauville, na França.
A essa altura do campeonato, alguém poderá perguntar aos seus botões:
- Afinal, quando o casal Marinês/Nico entra nesse dramalhão mexicano? Agora mesmo:
Ao desembarcar em Paris, depois de escapar dos Estados Unidos, Polanski fez um levantamento de sua posição financeira. Estava simplesmente falido.
Harrison Ford: Oscar para Polanski
A situação era desesperadora. Muitas reuniões sobre a crise foram realizadas em seu apartamento. Durante uma delas lembrou-se da história de Tess:
“A última foto que tenho de Sharon Tate, tirada só a alguns dias antes de ela navegar, é um pequeno teste Polaroid para um retrato fotográfico que deveria aparecer na capa da revista Queen. Outro legado dela é o livro que deixou para trás em nosso quarto: “Tess dos Ubervilles”, de Thomas Hardy. Mal ela o tinha acabado de ler, disse que daria um filme formidável.” (Pág. 261)
“Tess” é a última lembrança que Roman Polanski guarda de Sharon Tate. E o filme foi dedicado a ela.
Sharon Tate e Polanski: intimidade
“Tess dos Ubervilles” é a história da inocência traída num mundo onde o comportamento humano é governado por barreiras de classe e preconceito social. É também um estudo da causalidade. Todos os males da vida de Tess são produtos fortuitos da coincidências pequenas, mas importantes, que moldan nosso destino. Se não tivesse havido um encontro casual entre seu pai bêbado e um pároco que lhe diz que ele tinha sangue aristocrático nas veias, não haveria tragédia. Tess poderia ter vivido tranqüilamente como uma camponesa de Dorset. Ela nunca teria encontrado Alec de Urberville, nunca teria sido violada por ele, jamais teria acabado na forca.” (Pág. 370)
Roman queria Nastassia Kinski para o papel de Tess. Antes decidiu enviá-la à Inglaterra para estudar com Kate Fleming, professora do National Theatre. Ficou combinado que se Nastassia dominasse o dialeto de Dorsete, o papel seria dela. Deu certo. O filme foi indicado a 11 Prêmios da Academia e levou três estatuetas. A respeito da foto que emoldura o cartaz do filme, Polanski conta:
“Consegui tempo para fotografar Nastassia na floresta de Fointanebleau, usando um vestido de aparência romântica do século XIX. Claude Berri utilizou a foto com um grande anúncio de página dupla de Variety, durante o Festival de Cannes de 1978, ousado e simplesmente intitulado Tess, por Roman Polanski.” (Pág. 371)
Pois foi esse cartaz tão amado por Roman Polanski, que a Marinês pediu-lhe que fosse enviado como presente para a filha dela e do Nico, através daquela carta que remeteu ao Presidente do Festival de Cannes, em 1991.
O Festival terminou e Polanski retornou para a sua residência, em Paris.
Certo dia, enquanto ainda permanecia na cobertura da Copa América, em Viña del Mar, no Chile, o Nico recebe um telefonema de casa. Do outro lado da linha, a Marinês, eufórica, relata o teor da correspondência recebida.
Era o cartaz do filme “Tess”, com uma dedicatória de Roman Polanski, escrita em letras destacadas em preto, e que diz exatamente o seguinte:
“To Little Tess, A Long and Happy Life! R.Polanski, Paris, June 1991.”
Naquela noite o Nico liquidou com todo o estoque de cervejas em Viña del Mar.
Hoje a Tess tem 17 anos e acabou de entrar para a Faculdade de Letras da Ufrgs, ao lado do grande amigo Evaldo Tiburski, o Tiba.
O Vinícius, enquanto não se torna um músico famoso, divide espaço com o Nico em seu confortável escritório da sucursal do UOL.Esporte, em Porto Alegre.
A Marinês anda feliz da vida com a filha Tess já cursando a Faculdade.
Volta e meia, dá uma espiada no cartaz de “Tess”, em destaque numa das paredes do apartamento.
E sorri contente, por ter realizado essa façanha memorável.
Nastassia Kinski, quem diria, foi morar no Menino Deus.
Vinícius, Tess, Marinês e Nico Noronha
Conheço os Noronha há muito tempo, trabalhamos juntos em situações diversas, nos frequentamos em idos tempos e afirmo que são gente da melhor qualidade humana. Fiquei comovido com a história, contada e detalhada com maestria pelo Emanuel. E o texto tem um quê de inédito: pela primeira vez o Emanuel conta uma história de terceiros em que ele não é o protagonista principal.
Emanuel. Coisa mais lindinha a criaturinha que tá desse tamanhã, como meus filhotes que também ganharam nomes inspirados: o Lourenço, no Lourenço Diaféria, resistente jornalista e escritos daqueles tempos da redentora, e a Manoela porque em 84 era o nome da esposa do Ramalho Eanes, que tinha sido eleito presidente de Portugal depois da Revolução dos Cravos.
Sobre o Polanski. Tenho sentimentos divididos por ele - me encanta e me assusta, tem algo de perverso nele, eu acho.
Sobre comentário do Flavio: deixa ele ter um blog pra ver se não vai contar suas memórias e falar nele mesmo. bj
Eu amo os Noronha. O Nico querido amigo, a Marinês sempre tranqüila, O Vini, que passeava com lindo boxer Léo (que ainda está velhinho mas continua bobão) e a Tess, a quem não tive a oportunidade de conviver, mas de longe a vi crescer. Tenho muita saudade de vocês. E só o Emanuel para recuperar e relembrar uma história tão legal.
Beijos FLávio, Maristela, Emanuel e aos Noronha. Vocês moram no meu coração.
Jacque Iensen
Já tinha gostado do post (desse tamanho é post?) do Eric Clapton, pela sensibilidade, pela beleza. Gostei ainda mais desse (e o Emanuel me revela um estilo que não conhecia - mas também já se vão 33 anos quando te conheci ) por causa dessa história de dois amigos que não vejo há décadas. Para se ter uma idéia, a última vez que vi a Marinês, ela carregava o Vinícius no ventre, enquanto nos ajudava na administração da Aceg, a nossa associação de cronistas esportivos. Abração pra todos.
Schuster, meu caro, acho que podemos chamar estes megaposts de reportagens. O blog tá se destacando dos outros por isso. A sensibilidade, o talento e a capacidade de trabalho do Emanuel fazem a diferença.
Abraços
emanuel
impressionante
é só o que posso dizer…realmente, teu blog é uma reportagem, no mínimo, semanal….fiquei boba de tanto aprender
e sobre teu recado no meu blog, acho sim uma boa idéia recuperar o melhor de eu mesma (ai, podendo, heim ?) no coletiva
mas 1º preciso deixar passar os 2 anos da Comunidade “Poetas à Flor da Pele”
gd beijo
O Emanuel sempre teve o maior entusiasmo pela história da nossa Tess e o cartaz do Polanski. Em tantos anos de amizade, posso arriscar que ele sempre se sentiu dentro da história. Divulgá-la agora, num belo e carinhoso texto, foi uma surpresa generosa do querido amigo, que ainda me possibilitou saber de um pessoal que não vejo há anos. Legal saber de vocês, bjs,
Marinês
Amiga Marines, linda linda história. Não conhecia a nada a respeito do nome da TESS, fiquei deslumbrada lendo cada paragrafo e emocionada pelo presente que voces receberam. Parabéns a todos. Beijos
Aos Noroinhas e ao Emanuel
Durante vários anos procurei a Marinha em Floripa e por mil vezes perguntei aos agentes se não acharam os documentos que o Nico perdeu ao plantar bananeira dentro do mar, num arroubo de exibicionismo à Tess. Ela era bebê de colo, viu a cena, olhou pra Marinês e, surpreendentemente, ali mesmo aprendeu a falar:
_ Este meu pai!
Os documentos? Os caras continuam procurando, 17 anos depois. Agora vem o Maneca, na versão do diretor, contar a bela história do cartaz da Tess e nos apresentar o Polansquinho. Pois a bananeira e o cartaz são do mesmo período, né, não? Um abraço pros Noroinhas e pro Maneca
Emanuel, o post está mesmo muito bom. Achei que seria difícil superar o teu making of de Ipanema, mas superou!