Para acabar com a violência, tirem a paixão!
Enviado em 29 de Março de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos
A propósito da crescente onda de violência nos estádios, recebi esse texto contundente de Breno Maestri, gaúcho radicado em Florianópolis, casado com a competente jornalista Chuchi Silva, com quem convivi nas redações de Zero Hora e do Diário Catarinense. Reproduzo na íntegra e utilizo o e-mail até no título do post:
Tanque, de Eadi Abou Hassan, Síria
“Ó venerável ‘Sultão’! (Observação minha: um dia contarei a razão do apelido)
Deves ter acompanhado a explosão de uma bomba caseira que decepou a mão de um senhor idoso durante o jogo Criciúma x Avaí, há algumas semanas.
Evolução do futebol, de Cemre Ozkurt, USA
Pois descobriram que a fabricou, quem entrou com ela e a quem foi repassada.
A punição? Multas para os dois clubes e proibição das torcidas organizadas irem uniformizadas ou com as cores de seus times nos estádios dos adversários. Boa essa, né?!
Alka-Eda Team, de Adrian Palmas, Argentina
Muito já se falou sobre a questão das torcidas, mas acho sempre legal quando rolam opiniões a respeito.
Acredito em medidas para coibir a violência, mas, sinceramente, vetar o direito de ir com a camiseta ou cores do seu time é uma violência ao direito democrático da liberdade.
Fair Play, de Sadik Pala, Turquia
Onde está a igualdade assegurada na Constituição, quando uns têm o direito de ir com a camiseta ou cores do seu time, e outros não?
É preciso fazer a Ordem (está em nosso maior símbolo nacional, a Bandeira) ser cumprida, mas não restringir o direito de ir e vir e também o de escolher.
Torcedores, de Michal Takács, Eslováquia
A vigilância do Estado é obrigatória, assim como a punição.
O que vemos hoje?
O espetáculo mais popular do País está capenga, incompleto, sem o coro das torcidas e o colorido das suas bandeiras, flâmulas e camisetas que formavam um mar nos estádios.
Fiscalização, de Cristian Topan, Romênia
Fico triste ao recordar quando se ia ao jogos implicar com o rival, fazer gozações, mas sempre numa boa, na esportiva.
Lembro quando a disputa em campo era pela bola, por um gol, e não afirmação de quem é mais forte no corpo-a-corpo.
Pênalti, de Enn Ehala, Estônia
É também tão legal ter saudades de quando os dirigentes se comportavam como senhores nobres no comando de legiões de torcedores.
E de um time que entrava em campo, não para a guerra, mas para a arte do tocar a bola com os pés.
Vejo e fico triste: o futebol está em extinção.
Proteção, de Kran Evgeny, Rússia
E que o clássico deste domingo possa resgatar um pouco da alegria e do espetáculo que o futebol um dia já foi.
Breno Maestri,
de Florianópolis.”
Paz, de Sadik Palak, da Turquia
* Ilustrações do Salão de Caricaturas da Áustria www.cartoonaward.com
Deus e o futebol, de Alireza Nosrati, Irã
Muito bom. Assim como as ilustrações. bj
Maristela: depois que publiquei o texto do Breno, com essas ilustrações maravilhosas, aguardei o defecho do clássico a que ele se referia. Pois o jogo Avaí 2 x 0 Figueirense terminou num pau danado, depois que um jogador do Avaí, ao marcar o segundo gol, foi debochar da torcida, em pleno estádio do adversário. Deu merda, claro. Então, não adianta ter uma torcida civilizada se os astros do espetáculo são os primeiros a dar o péssimo exemplo.
Não sei se o Breno foi ao jogo ou tem algo a acrescentar, mas estou curioso para saber sua reação à mais essa demonstração de boçalidade. Até porque só vi o que a Globo retransmitiu à noite. Bjo.
Pois bem, Emanuel, o que era previsto aconteceu. O pau comeu feio entre os jogadores depois que o jogador do Avaí fez o segundo gol e foi para a frente da torcida do Figueirense tirar um sarro. Por que isso? É para sacanear mesmo. O futebol tá virado num embate de trogloditas. E a violência saiu das quatro linhas do gramado para avançar sobre a torcida. Os jogadores não comemoram mais o gol junto a sua torcida, mostando a camiseta, pedindo aplausos. Não, preferem ir para frente da torcida adversária e esbravejar palavrões e gestos obcenos como se tive matado os leões no centro do Coliseu. Uma única vez ouvi uma palavra que traduzia o que era o futebol. Foi o norte da cobertura que fazíamos na Zh e depois no começo do DC: futebol é espetáculo! Palavras do editor de Esportes Emanuel Mattos.
Verdade absoluta, Breno. Talvez isso explique porque eu não vá mais a um estádio há anos, e não sinta falta alguma. Prefiro um belo livro, um filme que me faça a cabeça, ou simplesmente olhar pro desenho das nuvens. A vida não começa, e muito menos termina, num campo de futebol. Sabe, às vezes tenho pena de quem passa a vida em função dele. Pior: os atores ganham mais do que merecem em um país tão carente. Forte abraço.
Sabe o que as vezes mata um pouco as saudades, ouvir aquela bela trilha sonora do Canal 100. Mas ainda há esportes que nos fazem viajar: surfe, vela, parapente, vôo livre, ginástica olímpica, o belo vôlei de praia…
Eu vejo tudo o que passa na net, tenho até o canal de turfe, o 90. Agora mesmo tô vendo Roma 0 x 1 Manchester Unidted, e Schalke 9 x 1 Barcelona, aos 10 min do segundo tempo. Vejo golfe, moto e, se estiver acordado, até pôquer (que não é esporte, mas tem as mesmas malandragens de alguns). Agora, sair de casa, enfrentar o diabo pra ver um bando de pernas de paus, a última vez que fiz isso aquele jogo em que o Brasil do Felipão meteu o Paraguai no Olímpico, em 2001, que nos classificou pro Penta. E só. Abração.
Pegadinha: qual foi a primeira modaidade esportiva reconhecida oficialmente no Brasil?
Breno, desculpe não ter visto antes a tua pegadinha. Vou Chutar:
o Remo.
Abraço.