O dia em que Ayrton Senna viu Deus
Enviado em 15 de Março de 2008
Publicado por José Emanuel Gomes de Mattos | Enviar por e-mail
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O vídeo resgata a história da Fórmula-1, de Fangio a Lewis Hamilton
Desde que os motores roncaram pela primeira vez na Fórmula-1, em 1950, poucas vezes houve tanta expectativa pelo início do Mundial.
Há muitas temporadas as corridas de F-1 têm sido uma monotonia absoluta. Esse ano será diferente, pois os cartolas da FIA afinal se renderam.
O regulamento para 2008 proíbe o controle de tração, que havia tornado os pilotos meros apertadores de botões. Há outras alterações importantes.
Será a vez de quem for ás, mesmo em equipe menor. Muita máscara vai cair e está assegurado o show imperdível, a partir de amanhã, na Austrália.
Não é simples esporte, mas um espetáculo com milhões de fãs. Argumente: qualquer sujeito de 1,50m ou 120 kg pode pilotar um bólido. Claro que pode.
Basta ter preparo físico excepcional, coordenação motora perfeita, concentração total, discernimento absoluto, raciocínio rápido – o ser humano só reage a impulsos visuais e auditivos em pelo menos 12 centésimos de segundo – cálculo exato, habilidade, coragem e muito, mas muito sangue frio.
Quem deve ter tais qualidades? A senhora diz: - Desde soldado até bailarino.
Ok. Mas soldado tem chance de se esconder na trincheira ou virar prisioneiro voluntário durante a guerra, como o candidato republicano John McCain.
Também o gordão de 120 kg pode dançar o Passo do Elefantinho. E aquele tampinha de 1,50m fazer uma pirueta com a bailarina nos braços. Mas com todo o respeito aos prejudicados horizontais e verticais, parece atração de circo.
Na Fórmula-1, quando o piloto senta no cockpit, bota a bunda na janela para o mundo inteiro assistir. Agora com a adrenalina a mil, já que o risco de morte está de volta. Meus dois maiores ídolos na F-1 perderam a vida em corridas.
Imagens do grande Jim Clark nas pistas e em sua fazenda na Escócia
O primeiro deles foi o escocês voador Jim Clark, cujas façanhas acompanhava pela leitura dos jornais (a F-1 só passou a ser transmitida para o Brasil nos anos 70). Bicampeão mundial (1963/65) ganhou 25 vezes e fez 33 pole positions em 72 GPs. Morreu em um acidente na F-2, em 1968, aos 32 anos.
Até surgir o fenômeno Ayrton Senna, tricampeão (1988, 90/91), 41 vitórias e 65 pole positions em 162 GPs. Perdeu a vida no GP de Ímola/94, com 34 anos.
Senna narra sua primeira vitória: GP Portugal 85, na chuva, de Lotus
Ousado, principalmente na chuva, Senna admitiu que sentia muito medo quando assumia os comandos de um Fórmula-1: - É rezando e pensando em Deus que consigo superar esse medo. (Jornal da Tarde, 22/9/89)
Campeão em 88: Senna diz que viu Deus na volta final no GP do Japão
No ano em que morreu, Senna estava sob violenta pressão. Desde a primeira prova, o jovem Michael Schumacher, com a Benetton (hoje Renault) disparou à frente da favorita Williams. No GP do Brasil, que abriu a temporada, dia 28/3, e marcou a sua estréia pela nova equipe, Senna abandonou na 56ª volta depois de rodar quando perseguia o piloto alemão. Culpa dele, que reconheceu:
- Foi um erro meu. Estava andando forte, procurando reduzir a vantagem e acelerei um pouco antes do que devia. O carro rodou, ficou atravessado na pista e, quando tentei voltar, o motor morreu. Fiquei frustrado porque os seis pontos do segundo lugar estavam garantidos. (O Globo, 28/3/94)
A morte de Ayrton Senna no GP de Ímola, em 1º de maio de 1994
Agora, 14 anos depois, com a retirada do controle de tração, podem ocorrer acidentes graves como o que matou Senna. A diferença: os protótipos estão bem mais seguros. A célula de sobrevivência, onde fica o piloto, é uma caixa forte. É certo que haverá colisões. O risco de morte é mínimo, mas existe.
Antes do início da temporada, adivinhar o campeão é como acertar o próximo prefeito de Porto Alegre. Em nenhum dos casos há um favorito destacado.
Hoje, aposto em Lewis Hamilton. Sem dividir os boxes com Fernando Alonso, e depois do fiasco de 2007 - quando jogou o título fora na última corrida -, o inglês da McLaren, mais rodado e amadurecido, leva as minhas fichas.
Ansioso, aguardo as luzes vermelhas se apagarem em Melbourne.
Esporte ou espetáculo, os homens adoram, as mulheres detestam.
Minha teoria a esse respeito: a Fórmula-1 é semelhante à vida.
O homem arrisca tudo em busca de dinheiro, fama e poder.
A mulher tem consciência de que é bem mais precioso viver.
Homenagem a Senna com a voz de Tina Turner em "Simply The Best"
* Pra quem gosta de F-1, recomendo dois sites especializados que estão nos links Blogs que Leio: F1 Grand Prix e Grande Prêmio.






Emanuel, obrigado pela referência, valeu mesmo! Muito bom receber seus comentários de novo lá no Blog! Esses vídeos que você postou são sensacionais mesmo. Acho até que vou pegar “emprestado” esse do Jim Clark para postá-lo nesta semana, ok?
Grande abraço!
Gustavo Coelho
Gustavo: fique à vontade pra utilizar como bem entender. Teu blog sobre Fórmula-1 nasceu e se mantém sob o signo da excelência. É um prazer visitá-lo e, igualmente, contar com a tua presença. Abração.
Emanuel
Que bom receber novamente notícias tuas…Tava esperando…Mudei de computador e perdi todos os meus favoritos. Agora, graças ao seu blog, que tá muito lindo, vou atualizá-los.
Bjão
Marcia,
também fiquei sem os links, que foram excluídos da outra hospedagem, sem aviso prévio. Aos poucos tentarei resgatar a lista completa, o que não vai ser fácil.
Beijo.
Depois do Senna, nunca mais me interessei pelo mundo das corridas de carro. acho, também, que ele foi a última figura mítica que levou este país a uma histeria boa, de esperança e consagração. sei lá, filosofice minha. mas ele foi especial, mesmo.