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Novo endereço do Blog do Emanuel Mattos

Recado aos eventuais passantes.
O blog mudou de endereço:

http://emanuelmattos.com.br/

A área editorial destinada a ele esgotou.
Agora, consegui um blog com espaço sem limite.
Vou transportar todos os textos anteriores.
Ainda não consegui trazer os comentários. Espero postá-los logo.
O endereço definitivo do Blog do Emanuel Mattos agora é este:

http://emanuelmattos.com.br/

Foto: Ricardo Stuckert

Lula sobrevoa a região inundada: a pior calamidade ocorrida em seu governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um gesto de solidariedade, visitou a região que sofreu a maior calamidade pública que se tem conhecimento no país. Lula ainda classificou os fatos dos últimos dias como a maior tragédia que enfrentou em seu governo. E assinou medida provisória de R$ 1,6 bilhão, para ser destinada à recuperação dos estragos causados pelas cheias na região.
– Essa é a maior tragédia em termos de enchente que já aconteceu no Brasil. O recurso estará disponível a partir de amanhã (hoje) e a maior parte será destinada a Santa Catarina – garantiu o presidente da República.

Segundo informa o Jornal de Santa Catarina “depois de uma reunião com o governador, a senadora Ideli Salvatti, o prefeito de Itajaí e empresários de Itajaí e Blumenau, o presidente sobrevoou as cidades de Navegantes, Itajaí e Luís Alves. Não pôde sobrevoar Gaspar e Blumenau por causa do mau tempo.
– O que mais me impressionou foi ouvir do governador que a água baixou. Lá de cima eu só via nuvens e água embaixo – contou o presidente”.

Desespero e saques tem sido um dos resultados dessa tragédia inacreditável para uma região que já havia sofrido, em 1983, uma enchente que ninguém imaginava que um dia pudesse se repetir. Pois ocorreu, com força nunca vista.

- O momento é para darmos as mãos e ajudar Santa Catarina a voltar a ser o Estado que sempre foi. Da parte do governo federal, não faltarão recursos para que a situação volte à normalidade. Sou de uma região em que as pessoas passam mais da metade do ano pedindo para que chova. Em Santa Catarina, temos que pedir a Deus para parar de chover, rezou o presidente Lula.

Os detalhes da tragédia chocam: quase 100 mortos e milhares desabrigados, sem acreditar que perderam todos os seus bens. Mas não há dor maior do que tantas vidas que poderiam ter sido salvas se tivessem sido tomadas maiores providências a partir da enchente espantosa que inundou Blumenau em 1983.

Caminhada em Balneário Camburiu na campanha eleitoral de Jorge Lacerda, 1956

Praia de Camboriú, 1956: Lacerda, de chapéu. Eu, de marinheiro, bem à direita

Adoro aquela região. Fui criado ali quando Balneário Camboriú era uma praia de pescadores. Meu pai, jornalista José Mauro, bateu a foto acima, em 1956, na campanha em que Jorge Lacerda (à direita, de chapéu) foi eleito governador. Curiosamente, ambos morreram dois anos depois. Meu pai, aos 29 anos, após  acidente vascular cerebral. Lacerda, em desastre aéreo onde também estava o catarinense que foi presidente - embora interino - da República, Nereu Ramos.

Para relembrar a enchente ocorrida há 25 anos, fui ao site de buscas e localizei uma rara notícia a respeito, que reproduzo. Na época, nem o Centro escapou.

IMAGENS DA ENCHENTE DE 1983 EM BLUMENAU

Centro de Blumenau em 83

A enchente de 1983 no centro de Blumenau: obras evitaram tragédia maior

Texto: Rita Amaral
Imagens: colaboração de Pedro Zanchett

A primeira grande enchente em Blumenau, Santa Catarina, aconteceu em 1895, mas em 1983, Blumenau foi quase totalmente destruída pelas águas do rio. Inundadas até os telhados, na vazante as casas eram apenas restos enlameados das até então belas casinhas com jeito europeu, caiadas e com cercas cuidadas, muitas flores e frontais de madeira envernizada. Demorou um bom tempo até que a cidade pudesse voltar à uma certa normalidade, com o apoio da prefeitura e do governo do Estado. Mas cada chuva se transformava em uma ameaça. Em 1984, antes mesmo que a cidade estivesse funcionando normalmente, uma nova enchente, de proporções maiores para uma cidade ainda em recuperação da enchente anterior, destruiu Blumenau. “Completamente”, dizem alguns blumenauenses. “Menos a coragem do povo”, dizem outros…

Prefeitura de Blumenau e estrada de ferro em 83

Imagens da Prefeitura de Blumenau e da ponte de estrada de ferro em 1983 *

* Leia o relato do historiador  Adalberto Day sobre a enchente: durou 32 dias.

Afora a indignação manifestada no post abaixo contra a falta de segurança em Porto Alegre, destaco a exemplar matéria de Zero Hora, na editoria de Política:

Orçamento 2009

Reprodução gráfica da destinação orçamentária do Estado. Editoria de Arte/ZH

"Para onde vão os R$ 24,5 bilhões do orçamento" (a editoria botou bi, mas foi pra caber na linha, coisa que não me atinge, timoneiro desse destemido blog).

Vale o registro porque estão previstos investimentos de R$ 1,2 ‘bi’ em 2009.

Quem viver, verá.

E no ano seguinte, votará.

Rá!

Enviei ontem para a competente jornalista e amiga Maristela Bairros o resumo da notícia "Lula sanciona lei contra exploração sexual de crianças na Internet", por saber que ela entra de cabeça em defesa dos inocentes explorados, seja no seu blog "Clínica da Palavra" , ou no "Diário da Dodô", espaço canino cuja freqüência é eclética, graças a sua criatividade de abrir espaço para os animais serem as principais atrações, exibindo-se ou através de declarações.

Com a honestidade intelectual de quem abraça as causa com fervor, Maristela intitula seu post bem assim: "Morte para quem pratica pornografia infantil".

Aasalto no parque Saint Hilaire

Reprodução da manchete da página 50 do jornal Zero Hora de 26 de novembro

Mas, quando a gente pensa que já viu tudo, volto a me espantar com outra violência absurda que ocorreu com um grupo de crianças entre 5 e 7 anos. "Passeio de escola vira filme de terror", estampa o matutino do Rio Grande. Ali, o relato do drama de 20 crianças e sete mães, assaltadas por dois jovens de apenas 15 anos - um deles com um revólver. "Acho que Deus salvou, porque eles iriam atirar nas crianças", desabafa a mãe de uma das meninas. Absurdo.

Faço questão de reproduzir as declarações publicadas na segunda matéria da página, intitulada "Segurança no parque continua precária" É de se indignar:

"Em setembro, uma reportagem do Diário Gaúcho mostrou a insegurança na área de 1,1 mil hectare do Parque Saint-Hilaire, entre Porto Alegre e Viamão. Ali, assaltos são freqüentes.
– Os crimes no parque estão se tornando comuns. A Brigada Militar só aparece quando chamada. E a Guarda Municipal diz que não pode manter agentes aqui – critica o administrador do parque, ligado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) da Capital, Luís Carlos Silveira.
De acordo com o comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar (18º BPM) de Viamão, tenente-coronel Leandro Fonseca, como o parque é fechado, a segurança interna seria responsabilidade da prefeitura de Porto Alegre. Ele confirma que os PMs só vão ao local quando acionados.
Já a Guarda Municipal de Porto Alegre mantém apenas um agente no parque, à noite, no pórtico de entrada. Segundo o subcomandante da corporação, Roben Martins, há falta efetivo.
O ideal naquele parque seriam até duas guarnições, com quatro agentes em patrulhamento – afirma."

Sem mais delongas, não adianta serem promulgadas leis barulhentas e de resultados pífios. Porém, ao menos a Prefeitura tem a obrigação de proteger as crianças, aquelas que mais precisam. Foi por isso que fiz campanha e votei na Manuela d’Avila. É melhor perder com quem diz que vai fazer o que os outros não fizeram do que reeleger alguém que governará para quem menos precisa.

Obamanomics

Red Eyes, de Chicago: Barack Obama tem plano para criar milhões de empregos

Boas notícias para a vulnerável economia nacional, sempre dependente de seu principal parceiro econômico, os Estados Unidos. Depois que as bolsas dispararam com o anúncio de sua equipe, Barack é colírio aos olhos do mundo.

Foto: Saul Loeb/AFP

Em especial para o Brasil, que além de ver nomeado como titular do fundamental posto chave de Secretário do Tesouro a Timothy F. Geithner - que montou o pacote de socorro à economia brasileira na crise de 1998 -, nosso país faz parte da agenda prioritária de Obama.

 Timothy Geithner, Christina Romer, Obama e Lawrence Summers:

"o comando de ferro" da economia dos EUA foi anunciado ontem

O site O Filtro, que está entre os links que leio todos os dias, reproduz na sua edição de ontem a nota abaixo. A fonte é o jornal argentino La Nación, o que só reforça que, de fato, Brasil e México serão prioridades do novo presidente dos Estados Unidos. Abaixo, a íntegra da informação de O Filtro, cujo autor é o jornalista Juliano Machado e está hospedado entre os sites da Revista Época:

"O jornal argentino La Nación ouviu assessores da equipe de Barack Obama sobre política externa e, segundo essas fontes, o novo presidente americano considera o Brasil e o México suas prioridades nas relações com a América Latina. Do ponto de vista econômico, algo natural, pois estamos falando das duas maiores economias da região. Sobre a Venezuela, os EUA esperam um gesto mais receptivo. E, para a Cuba, a aposta é no multilateralismo, ou seja, eles não querem se intrometer de forma direta. O atual subsecretário de Estado americano para a AL, Tom Shannon, pode virar embaixador no México ou mesmo no Brasil. E, diz o La Nación, a esperada visita de Obama ao Brasil deve ocorrer imediatamente antes ou depois da Conferência das Américas, em Trinidad e Tobago, entre 17 e 19 de abril de 2009."

Obama t shirt

Ainda encontra-se camisas à venda na Internet pela vitória histórica de Obama

Não há maioria sem sonho, como não há sonho sem maioria, dizia Paulo Freire. Assim como a caminhada, por melhor ou mais árdua, começa no primeiro passo.

Em 27 de agosto de 1974, período em que o ditador de plantão era o general gaúcho Ernesto Geisel, foi fundada a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre - Coojornal -, no salão nobre da Associação Riograndense de Imprensa.

Estive presente nesta ocasião história - era meu primeiro ano no exercício da profissão e trabalhava como repórter da Folha da Manhã, cuja redação estava praticamente toda presente a este ato que entrou para a história da imprensa do Estado como aquele em que jornalistas criaram uma associação que tinha por finalidade termos autonomia para tocar projetos, sem ingerência patronal.

O projeto, sabotado pelo regime militar, encerrou em 1983. Ficaram as dívidas, que foram saldadas, mas nunca mais se apagou a chama libertadora que volta e meia os profissionais da imprensa local teimam em acender por causa nobre.

Diploma

Denúncia, no site do Sindicato dos Jornalistas, contra a extinção do diploma

Como tem sido o caso da luta para evitar o fim da profissão regulamentada de jornalista. Nesta terça, 25/11, a Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ,  entregará proposta de projeto que regulamenta o exercício da profissão. Os eixos do projeto incluem a exigência de diploma de ensino superior em para todas as funções jornalísticas, diferenciação entre jornalismo e o colaborador, o fim do provisionamento - com regras para o período de transição -, além de definir as especificidades do estágio e transformar em funções as atividades que já estão previstas, como professor de jornalismo e assessor de imprensa.

Sábado, 22 de novembro de 2008, ocorreu mais um movimento que poderá ser histórico, ocorreu a partir de uma nova iniciativa de jornalistas. No Auditório João Neves da Fontoura, o Plenarinho da Assembléia Legislativa, foi realizado o "Seminário Estadual Pró-Conferência Nacional de Comunicação". Ao final, foi entregue o Certificado para os participantes dos três painéis: "Reestruturação do Sistema e Controle Público", "Conteúdo Cidadão" e "Convergência".

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Certificado de presença no Seminário Pró-Conferência Nacional de Comunicação

O tema é polêmico, ainda não encontrou a ressonância merecida no Congresso, mas com a união dos principais sindicatos e entidades, o barco poderá andar. São signatários do encontro:Conselho Federal e Regional de Psicologia/RS, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Campanha Ética na TV, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Jornalistas do RS, Sindicato dos Psicólogos do RS, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Amarc/Conrad), Central Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Sindicato dos Telefônicos (Sinttel/RS), Canal Comunitário POA TV, Alice/Jornal Boca de Rua, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - Ilê Mulher, Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (Enecos), Federação da Alimentação do RS, DISTBRASIL, Conlutas e SIMPA.

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Celso Schröder (Fenaj/FNDC), Maria Helena Weber (UFRGS), a mediadora Dagmar Camargo (Conrad), Pedrinho Guareschi (PUC) e Osvaldo Biz (PUC/RS),  palestrantes do primeiro painel: Reestruturação do Sistema x Controle Público

O primeiro painel teria a ex-prefeita de São Paulo e deputada federal, Luiza Erundina (PSB), que no Congresso é titular da importante e nevrálgica "Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática", defensora do tema que mediaria: "Reestruturação do Sistema e Controle Público". Doente, a deputada Erundina foi substituída na função por Dagmar Camargo, da Conrad.

Em sua intervenção, Pedrinho Guareschi, mestre da PUC, citou o exemplo positivo da participação dos cidadãos na BBC, principal estatal pública da Inglaterra, tem o conteúdo decidido pela população. "Quando houve debate a respeito de haver espaço para programas religiosos - e foi aprovado."

Osvaldo Biz, também mestre na PUC, abordou a respeito de "Leitura crítica da mídia: desafios e perspectivas". Pontuou sua fala com slides. Alguns registros:

"Através da TV o mundo que chega é editado, já com uma visão construída sob  determinado ângulo. Por isso, é fundamental a formação do cidadão que saiba fazer uma leitura crítica. É necessário que o leitor conheça o processos de construção da informação. Os meios de comunicação são fascinantes e preocupantes ao mesmo tempo: são simples, fáceis, mas não ingênuos." E advertiu que é estreita a relação entre os donos do capital e da mídia.

Maria Helena Weber, da UFRGS, abordou a influência da mídia na política, ao referir três novelas que a Globo exibiu simultâneas à eleição de Collor. "Agora, em ‘A Favorita’ desqualificam a política através de um corrupto", constata.

"O que é o interesse público quando se trabalha em comunicação?", propõe, ao pregar que esse debate seja transportado para dentro das universidades. E alegou: "Não é o que a mídia faz por nós, mas o que nós fazemos com a mídia".

Celso Schröder, coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação/FNDC, destacou que o assunto já faz parte da agenda nacional, tanto na dos empresários como dos políticos. Mas advertiu que a discussão no Congresso tem sido sempre adiada: "Há 30 projetos engavetados", denunciou.

Schröder constata que, a partir dos anos 90 deixou de haver distinção entre telecomunicação e comunicação. "Há uma crise enorme no atual modelo que ameaça os donos, os poderosos, esses senhores detentores do monopólio". Destacou que todos os atuais escândalos têm por trás a questão das teles. E citou a Internet libertária, multiplicadora, decisiva na última eleição da Espanha.

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Antônio Hohlfeldt (Intercom), Roseli Gofmann (CFP), o mediador Juan Sanchez (Fittel), Ricardo Moretzsohn (Campanha Ética na TV) e José Luiz Sóter (Abraço), os palestrantes do Segundo Painel, intitulado: "Conteúdo Cidadão"

José Luis Sóter, das rádios comunitárias, enfocou a respeito do conteúdo gerado pela verticalização. "Há uma discussão ampla sobre a tecnologia na comunicação, porém discute-se o padrão tecnológico e não seus conteúdos."

Ricardo Maretzsohn relatou os avanços da Campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania". Fez questão de salientar que não é censura, é controle social, tanto que foi criada tendo por base os estatutos legais, entre eles a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Código do Direito do Consumidor e as convenções internacionais assinadas pelo Brasil. A conclusão do trabalho de comunicar as infrações aos Direitos Humanos gerou até agora 35 mil denúncias fundamentadas, resposta positiva de anunciantes, o que determinou a mudança na grade e no conteúdo das emissoras e a portaria de nº 1220, do Ministério da Justiça, sobre a classificação indicativa de programas.

Roseli Gofmann, do Conselho Federal de Psicologia, advertiu para um dado no mínimo alarmante: 90% da TV fundamenta a educação da criança, que assiste em média de 4 a 8 horas por dia. "O dano à educação e à informação da criança é irreparável, pois são seres que contemplam, repetem e fazem dele o hábito". Ela aponta exemplos positivos dos países mais evoluídos no debate desta questão e que já proíbem publicidade voltadas às crianças em qualquer horário.

A respeito de como obter resultados no Brasil, a fórmula, segundo Roseli, é simples: "Fazer política é vida, mobilização é vida. Só estamos realmente vivos quando participamos politicamente. E, ao lembrar o resultado obtido pelo "Movimento Diretas Já", conclamou: "A militância de rua é insubstituível". 

Antônio Hohlfeldt representou a Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Com a experiência de quem já fez de tudo na vida - inclusive governar o Rio Grande - convidou os participantes a refletir "se estamos fazendo tudo o que deveríamos fazer para convencer a sociedade sobre a necessidade da discussão dos conteúdos dos meios de comunicação".Comunicacao

Valério Brittos (Unisinos), o mediador José Carlos Torves (Fenaj) e Pedro Osório (Unisinos/FNDC), os palestrantes do Terceira Painel: "Convergência"

José Carlos Torves, do Departamento de Mobilização da Fenaj, mediou o painel "Convergência". Ele resumiu sua intervenção ao que considera essencial em todo o processo que iniciou com a Pré-Conferência Nacional de Comunicação:

- Essa discussão é fundamental para o Brasil e deve ser feita com toda a sociedade civil e não em gabinetes fechados como tem ocorrido até agora.

Pedro Osório (Unisinos/FNDC) pregou: "A sociedade precisa estar capacitada para dominar a comunicação. Se não nos apropriamos das novas formas de mídia é mais difícil compreender e tomar decisões frente às corporações".

- Se não houver um debate sério, organizado, que envolva sindicatos, partidos e instituições, por todos os meios, enfim, não conquistaremos nossos objetivos.

Já o professor Valério Brittos (Unisinos) teme um novo ciclo de sucateamento da TV Pública. "As motivações e as conseqüências sabemos quais são", advertiu. Para ele, apesar da mudança de paradigma tecnológico, continuamos com um gargalo midiático, que é muito mais acentuado na educação e na cultura.

No final, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, José Nunes, saudou o auditório lotado, "o que significa que começamos a discussão com o pé direito".

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A frase estampada nas frente das camisas distribuídas aos participantes do "Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação/RS: início da mobilização". Na parte de trás das camisas consta a relação das entidades, sindicatos e associações e federações que integram a "Comissão Estadual Pró-Conferência Nacional de Comunicação" www.protoconferencia.com.br.

Comunicaimprensa

O "Correio do Povo" abriu espaço, segunda-feira, na página 21 da Geral, e noticiou o debate do Movimento Pró Conferência Nacional de Comunicação

Em resumo, o Plenarinho da Assembléia serviu, das 9 horas às 18h, para os presentes tomarem conhecimento das dificuldades iniciais que se terá para organizar a "Primeira Conferência Nacional de Comunicação". Aparentemente,  o governo federal não tem interesse no assunto, muito menos a maioria dos que integram as duas Casas do Congresso Nacional, informou Celso Schröder. Seja como for valeu, pois toda a caminhada começa com seu primeiro passo. *

* Deve se destacar que o ideário de Daniel Hertz, fundador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, foi destacado em diversas intervenções.

Foto: André Feltes/DG Quando encontrei Eliane Brum, na sessão de autógrafos de "O Olho da Rua", no sábado final da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, ela revelou-me que concorre ao Prêmio Esso de  2008 com duas reportagens. Uma delas está entre as dez publicadas em seu livro: "O Povo do Meio". A outra, intitulada "Suicídio.com" ficou de fora, talvez pelo impacto que o tema polêmico provoca. Há uma espécie de acordo de cavalheiros - algo raro entre jornalistas - de não publicar notícias a respeito de suicídios. O dramático é que há anos Porto Alegre lidera o ranking entre as capitais com maior número de suicidas entre os jovens. Como foi a reportagem de maior impacto que li esse ano, reproduzo na íntegra para quem não teve a chance de ver essa história triste e comovente, escrita por Eliane Brum e Solange Azevedo e publicada na edição 508 de Época (11/2/2008):

 

Suicídio.com

Sites na internet incentivam adolescentes, como o gaúcho Yoñlu, a se matar e ajudam a escolher o método

ELIANE BRUM E SOLANGE AZEVEDO (COLABOROU RENATA LEAL)

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INTERROMPIDO

Vinícius Gageiro Marques suicidou-se com a ajuda de internautas. Tinha 16 anos

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios.’’

Essa frase é de um adolescente de 16 anos. Um garoto que amava Radiohead, Mutantes e Vitor Ramil. Foi escrita no dia de seu suicídio. Era parte de sua carta de despedida. Ele dizia aos pais que a música era a melhor maneira de enfrentar o desespero que viria. Antes de começar a morrer, colou a carta no lado externo da porta do banheiro. Acima dela, um cartaz: “Não entre. Concentrações letais de monóxido de carbono”. Vinícius ligou o aparelho de som – “porque é bom morrer com música alegre” – e entrou.

Essa frase escrita na morte se transformou num legado de vida ao ser impressa no encarte do CD que será lançado ainda em fevereiro pela Allegro Discos, com 23 músicas de sua autoria. Parte delas foi entregue aos pais na forma de uma herança às avessas: “Deixei na mesa do computador um envelope vermelho da Faber-Castell que contém um CD com algumas de minhas músicas”. Yoñlu, o título do CD, é o nome com o qual batizou a si mesmo no mundo em que circulava com mais desenvoltura: a internet.

Ambos, Vinícius e Yoñlu, morreram por asfixia por volta das 15h30 de uma quarta-feira de inverno, 26 de julho de 2006. Vinícius foi estimulado ao suicídio e auxiliado por pessoas anônimas na internet. Ele é a primeira vítima conhecida no Brasil de um crime que tem arrancado a vida de jovens de diferentes cantos do mundo – uma atrocidade que poderia ser chamada de Suicídio.com.

Encobertos pelo anonimato da rede, internautas de diferentes nacionalidades têm dito em várias línguas a pessoas muito frágeis, a maioria delas adolescentes: “Mate-se”. O suicídio de Simon Kelly, de 18 anos, em Cornwall, na Inglaterra, foi um dos primeiros sinais de que algo de macabro estava acontecendo no reino da internet. No verão de 2001, o garoto aproveitou uma viagem dos pais para acessar sites sobre suicídio com detalhes técnicos de como poderia se matar. Morreu de overdose enquanto conversava com “amigos” virtuais em uma sala de bate-papo. A banalidade dos diálogos travados enquanto o adolescente tirava a vida é chocante. Ninguém tentou dissuadi-lo ou buscou ajuda. Um internauta procurou apenas convencê-lo a dar uma última olhada no mar antes do fim. Simon respondeu: “Fiz isso no domingo. Vejo vocês do outro lado”. A morte foi transmitida pela câmera do computador.

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PREVISÃO

Yoñlu anunciou na internet que suicídio começaria a partir das 11 horas de 26 de julho

Somente em 2005, 91 pessoas, a maioria entre 20 e 30 anos, suicidaram-se no Japão, estimuladas por sites na internet. Apenas em um mês, março de 2006, houve três casos de suicídios coletivos combinados em fóruns virtuais no país: 13 internautas morreram. Desde o ano passado, 14 jovens da região de Bridgend, no sul do País de Gales, se mataram. Alguns deles estavam ligados por um site de relacionamento que difundia uma idéia “romântica” do suicídio. O mais velho tinha 26 anos. Nos últimos seis anos, a Papyrus, entidade dedicada à prevenção do suicídio, registrou 27 mortes incentivadas pela internet apenas na Grã-Bretanha. A vítima mais jovem tinha 13 anos.

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LEGADO PRECOCE
Yoñlu compunha, fazia os arranjos, tocava piano e violão. Acima, a capa do CD póstumo que será lançado neste mês pela Allegro Discos

No mundo virtual não há nenhuma perversão nova, apenas as velhas modalidades que já assombravam as ruas da realidade. A diferença é que, na internet, qualquer um pode exercer seu sadismo protegido pelo anonimato, na certeza da impunidade. Basicamente, a idéia é: “Se ninguém sabe quem eu sou, não só posso ser qualquer um, como posso fazer qualquer coisa”. Megan Meier, uma adolescente americana de 13 anos, foi uma vítima da mais banal das maldades, cuja potência de destruição foi multiplicada na internet. Depois de receber mensagens hostis de um “amigo” virtual no site de relacionamento MySpace, Megan subiu ao 2o andar da casa e se enforcou com um cinto no closet. Josh Evans, um garoto musculoso de 16 anos, louco por pizza, tinha dito a ela: “Você é uma pessoinha de m…. O mundo seria bem melhor sem você nele”. O detalhe: Josh nunca existiu. Era uma criação coletiva de suas vizinhas para se divertir com a menina gordinha.

O brasileiro Vinícius Gageiro Marques deixou o inventário de seu suicídio. Documentou sua morte na carta de despedida impressa em papel e no registro virtual da internet. Seguindo seus passos, é possível chegar ao impasse de uma época em que adolescentes habitam dois mundos – mas os pais só os alcançam em um.

Como Yoñlu, ele marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como “extraordinariamente inteligente” e “extremamente sensível”. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.

Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.

Os fones de ouvido eram o caderno dele. Não levava nada, não ouvia o professor e depois passava por média em tudo’’. (GENOVEVA GUIDOLIN, orientadora educacional do Colégio Rosário)

Vinícius parecia “curado” no mundo real. Na internet, porém, Yoñlu pedia instruções sobre o melhor método de suicídio. Em 23 de junho, comentou que adiaria sua morte porque muita gente estava elogiando suas músicas. A faixa 10 do CD, “Deskjet Remix”, em parceria com um DJ escocês, tocava em festas eletrônicas de Londres. O mundo virtual de Yoñlu alcançava gente de vários países em sites de suicídio e fóruns de música, com quem conversava num inglês desenvolto.

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SENTIDO
Vinícius aprendeu a tocar bateria aos 4 anos. A música o prendeu à vida por muito tempo. E foi música que ele aconselhou aos pais para suportarem sua perda

Enquanto Vinícius tecia uma fantasia no mundo real, a realidade estava onde os adultos de sua vida não esperavam encontrá-la: no mundo virtual. A mãe arrumava a mesa para o churrasco de ficção. Bem ali perto, o computador anunciava a morte do filho pelo método conhecido como “barbecue”. Por volta de 11h15, os pais saíram do apartamento que ocupa três andares de um prédio da família, num bairro de classe média de Porto Alegre. Por volta das 12 horas Vinícius ligou para o celular da mãe, avisando que os amigos tinham chegado e que estava “tudo bem”. Às 13 horas, os pais deixaram o violão, que estava no conserto, na portaria do prédio. Vinícius foi buscá-lo. Três horas depois, os pais leriam: “Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (…) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário”.

O que aconteceu depois foi gravado por Yoñlu no computador. Às 14h28, ele postou num grupo de discussão, sempre em inglês: “Estou fazendo esse método CO (suicídio por inalação de monóxido de carbono) neste momento e tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está a foto. Alguém pode me dizer se há carvão suficiente e quando eu posso entrar no banheiro e me deitar? Por favor, por favor, me ajudem! Eu não tenho muito tempo”.

A foto mostra duas churrasqueiras portáteis com chamas, uma ao lado da outra, num banheiro. Às 14h42, alguém diz: “Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer. Talvez você volte daqui a pouco tossindo”. Dois minutos depois, Yoñlu escreve: “Ah, meu Deus. Eu não consigo suportar o calor, está tremendamente quente naquele banheiro. O que eu devo vestir para se tornar mais suportável? Eu tomei uma ducha antes, mas não adiantou nada. O que eu posso fazer? E o que eu devo fazer para desmaiar, por Deus?”.

Um bombeiro aposentado de Chicago, segundo o inquérito policial, orientou Yoñlu a retirar as roupas, encharcar algum pano e se enrolar nele para suportar o calor até o momento de desmaiar. O último post de Yoñlu, de Gay Harbour, como ele chamava causticamente Porto Alegre, foi às 15h02. Muito tempo depois, alguém escreveu: “Acho que funcionou, já que ele não entrou mais em contato”.

Às 15h45, o policial federal Enrico Canali, de Porto Alegre, foi chamado ao telefone porque era fluente em inglês. No outro lado da linha estava o policial Ken Moore, de Toronto, no Canadá. Lindsey, uma universitária canadense, amiga virtual de Yoñlu, procurou a polícia de sua cidade para avisar que alguém no sul do Brasil estava se suicidando. Deu o endereço de Vinícius, obtido com outro amigo virtual. Canali acionou a Polícia Militar.

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Uma canadense avisou a polícia gaúcha que um garoto se suicidava na internet

Os PMs Volmir da Silva Ramos, sargento, e Fernando Hermann Heck, soldado, tentavam conter uma mulher em surto psicótico debaixo de um viaduto quando foram chamados pela central. Eram 16h10. A zeladora do prédio demorou 15 minutos para deixá-los entrar, assustada com a presença da polícia narrando uma história que soava absurda. Chamou o avô de Vinícius, que morava em outro apartamento do mesmo prédio. “Não é possível. Só meu neto está aqui, e ele está com os amigos, numa festa”, ele teria dito aos policiais. A cena que encontraram não precisa ser descrita.

Durante cerca de uma hora, o serviço médico tentou reanimar Vinícius. Ele explicou aos pais na carta: “O método que escolhi foi intoxicação por monóxido de carbono, é indolor e preserva o corpo intacto, mas demora, e se a pessoa é resgatada antes de morrer fica com graves lesões cerebrais e torna-se um vegetal”.

Quando o sargento constatou que estava tudo acabado, puxou o pai e a mãe do menino para que ficassem juntos – “porque agora só teriam um ao outro” – e foi embora. Os pais nem precisariam ter lido a carta para entender: “Não houve churrasco, não havia colegas nem guria que eu goste. Peço desculpas pela maneira trapaceira com que arranjei meu suicídio. Peço desculpas também pela maneira assustadora com que a notícia chegará a vocês. Foi a maneira que encontrei de garantir um dia inteiro sozinho a fim de conduzir o procedimento da maneira mais segura”.

Eu dizia que ele era um velho brincando de adolescente na rede. Dizia sai, deixa para os netos. Então ele me mandava a voz para provar que era jovem’’ (FELIPE DI MELO, de 19 anos, amigo virtual)

Vinícius era um garoto de 1,83 metro de altura, magro e bonito. Mas não era essa a imagem que via. Em alguns momentos, segundo o inquérito, sentia que seu corpo se desintegrava, que seu rosto estava deformado. Procurava então um espelho para ter certeza de que estava ali. Na escola, quando tinha essa sensação, levava um CD para poder se olhar sem chamar a atenção. Aos 12 anos, ele já lia Kafka.

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OLHAR
Parte da herança deixada por Vinícius é composta de desenhos e fotografias que ilustram esta reportagem

Quando se suicidou, Vinícius legou aos pais o que acreditava ser o melhor dele: Yoñlu, seu eu mais fluido, feito de palavras e de música, existência “salva” na internet. De novo a sua voz: “O computador está cheio de material sobre mim para vocês lerem se quiserem. Todas as minhas conversas no MSN estão gravadas. Eu tinha um blog em http://yonnerz.blogspot.com. Todas as minhas músicas estão salvas…”.

São mais de 60 músicas. Vinícius aprendeu a tocar bateria aos 4 anos, depois piano e violão. Na porta do quarto grudava um cartaz: “Gravando”. Uma vez chamou a mãe para ajudar na canção “Tiger”, faixa 14 do CD: o aparelho nos dentes não permitia que ele gravasse o assobio.

Ao entrar na internet em busca de Yoñlu, os pais encontraram fragmentos de morte. Ele fazia uma ressalva: “Não pensem de forma alguma que eu quis lançar-lhes algum tipo de culpa por terem, de certa forma, ‘assistido’ a minha morte. Não havia nada que pudesse ter sido feito para impedir isso”. E fragmentos de vida. Como a colega de escola que não virou namorada. Para Luana, ele compôs “Mecânica Celeste Aplicada”, a faixa 20 do CD. Diante do amor, Yoñlu não conseguia se passar pelo adulto de 26 anos que dizia ser em grupos da internet. Virava guri, o Pipoca do tradicional Colégio Rosário, Pop Corn nas aulas de inglês, Palomita nas de espanhol. Em qualquer aula, sobre qualquer tema, Pipoca emergia dos fones de ouvido para lançar a pergunta que toda a turma 303, do 3o ano do ensino médio, esperava: “Mas e qual é a relação com a água?”. Todo mundo ria, mas talvez esta fosse a pergunta que ele fazia ao mundo: qual é a relação com a água?

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LEGADO

Vinícius deixou uma carta de despedida, um CD com suas músicas e sua vida de Yoñlu no computador

Não foi a primeira vez que Vinícius tentou o suicídio. Mas foi a primeira vez que havia vozes torcendo para ele morrer. Dizendo como ele podia morrer. E, desta vez, ele morreu. No Suicídio.com só existe a exposição de um corpo, o da vítima. Aqueles que disseram “mate-se” são vozes sem materialidade, desmancham-se no ar. Nos outros crimes iniciados pela internet, em algum momento, para consumar o abuso sexual, o assassinato, o criminoso precisa aparecer. É necessário um encontro real para existir o crime. No incitamento ao suicídio, não. A única maneira de impedir a continuidade dessa rede de morte é dar corpo às vozes, nome e sobrenome, dar existência concreta aos fantasmas mórbidos da rede.

No mundo todo, porém, adolescentes têm sido incentivados na internet a morrer sem que ninguém seja punido. No Japão, desde 2005, quando os suicídios ligados à rede aumentaram em 70%, os provedores passaram a ser obrigados a informar qualquer suspeita à polícia. Os casos diminuíram. No Brasil, 39 milhões de pessoas usam a internet, mas os provedores não têm obrigação de preservar provas. Sua responsabilidade só começa depois de receberem a notificação de que um crime está ocorrendo. Na lista dos dez países com maior número de internautas, o Brasil é o único que não tem uma divisão especializada em crimes cibernéticos. O projeto acumula poeira em Brasília desde 2005. A Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal é informal. Tem apenas quatro pessoas. A falta de estrutura somada ao caráter transnacional da rede garante a impunidade.

O crime de indução, instigação ou auxílio ao suicídio é previsto no Artigo 122 do Código Penal Brasileiro. A pena é de dois a seis anos de prisão, dobrada se a vítima for menor de 18 anos. Denunciada por uma canadense e instigada por internautas de diferentes países, a morte de Vinícius não foi considerada um crime pela polícia. Em ofício, a Delegacia de Polícia para a Criança e o Adolescente Vítima despachou o caso para a Polícia Federal, por envolver pessoas e sites de diferentes países. E a PF o mandou de volta em outro ofício dizendo que a atribuição é da Polícia Civil. Depois do empurra-empurra, o delegado Christian Nedel concluiu o inquérito sem indiciar ninguém, por entender que Vinícius tinha a intenção clara de se matar e por não encontrar provas de incitamento ao suicídio. Nenhum dos participantes do site foi sequer identificado. Em entrevista, o delegado admite que até o fato de os diálogos na internet serem em inglês tornou-se um problema.

"De que lugar Yoñlu trouxe a vontade de ser vários, a surpresa de ser vários, a tristeza, a melancolia, a angústia de ser vários?

Perguntas, perguntas…’’
(JUAREZ FONSECA, crítico musical (trecho extraído do encarte do CD Yoñlu – Allegro Discos)

Em março de 2007, outro adolescente brasileiro se suicidou em Ponta Grossa, no Paraná. Thiago de Arruda, estudante de Educação Física, foi atacado em uma comunidade do Orkut cuja principal missão era fazer fofocas sobre os moradores da cidade. Chamavam Thiago de “homossexual e pedófilo” na internet. O ataque atravessou as paredes virtuais da rede, e ele passou a ser agredido nas ruas de Ponta Grossa. Thiago escreveu na internet que, se as agressões continuassem, ele se mataria. Um internauta disse que ele deveria mesmo se matar e ensinou o mesmo método usado por Vinícius: inalação de monóxido de carbono. Thiago foi encontrado morto na garagem de sua casa. Cinco pessoas foram identificadas pela polícia. Ninguém foi preso.

Não há como saber o que fariam esses adolescentes que suspenderam a vida num chat da internet se conseguissem tornar-se adultos. Em 16 anos, um tempo exíguo demais, Yoñlu deixou um impressionante legado composto de músicas, desenhos e fotografias. Todo o material que ilustra esta reportagem foi feito por ele, é parte do encarte do CD Yoñlu. Em sua carta de despedida, Vinícius escreveu: “Se conseguirem enxergar além da ótica da paternidade, verão que nada de especial aconteceu no dia de hoje. O mundo continua igual. (…) Espero que não tenha ficado nada pendente”.

Ele estava errado. Nada nunca mais será igual. Tudo ficou pendente.

Diálogos no inferno: a vida num site de morte

ÉPOCA entrou nos grupos de suicídio que Yoñlu freqüentava para descobrir o que um adolescente encontra nessa rede macabra

“Estou muito deprimido. Não vejo nenhuma razão para a minha vida. Como posso cometer suicídio? Ajudem-me, por favor.” A súplica foi feita por Diego Martin em um fórum de discussões sobre suicídio na internet. O grupo tem quase 2 mil internautas cadastrados que se correspondem em inglês. É um dos mais conhecidos da rede. Foi ali que Vinícius Gageiro Marques, o Yoñlu, fez alguns “amigos” virtuais. Logo que Diego se conectou, na semana passada, encontrou pessoas dispostas a ajudá-lo a morrer. “Você leu o que está no http://gr…? Veja o coquetel D… Pesquise no alto da página, à direita”, disse Kat. “Se você quer que funcione, sugiro que pesquise bastante. O http://gr… é um bom lugar para você começar”, afirmou Peter. Kat, que escreveu ser mãe de duas crianças e sofrer de problemas psicológicos, quis conhecer melhor Diego antes de dar a sentença de morte.
– Você acha que devo cometer suicídio?
– Não conheço a sua situação. Eu, por exemplo, tenho alguns contatos on-line com doentes terminais. Eles têm pouca possibilidade de vida. No meu caso, com dois filhos, acho que seria errado e egoísta.
– Eu não tenho vida. Só depressão.
– Isso ainda não é suficiente para que eu possa fazer um julgamento. Essa é uma grande decisão e não há retorno. Mande-me toda a sua história por e-mail.
Diego Martin não existe. É um jovem criado pela reportagem de ÉPOCA para descobrir como as pessoas se comportam na web quando conversam sobre suicídio. Mas Kat e Peter existem. Assim como centenas de outros internautas prontos para ajudar e incentivar quem deseja se matar. De acordo com Adalton de Almeida Martins, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, criar um personagem na internet não é crime. “Seria falsidade ideológica apenas se houvesse prejuízo a alguém”, afirma. Crime é incitar ao suicídio. ÉPOCA selecionou alguns trechos de diálogos travados em um fórum na semana passada:
squidthings: Não quero te matar. Mas crianças usam essa m… o tempo todo. Tenho um amigo que tomou 2.650 mg e ficou alucinado durante três dias. Depois acordou abandonado em Cleveland.
fkd up: Eu estou planejando cozinhar N* e injetar na veia.
axlgu: Não funciona. Eu já fiz isso.
Samantha: Se você quer companhia, eu gostaria de ir. O remédio N* é minha primeira opção. Eu estava esperando para viajar com alguém. Estou reunindo os ingredientes para o coquetel de A*. É fácil achar esses remédios on-line. Só não sei se vai funcionar. Mas isso vai me custar US$ 300.
JohnnieR: Sam, estou tentando organizar um grupo de três ou quatro pessoas. Você será mais do que bem-vinda.
angrygirl13: Me corto e me queimo desde os 11 anos. Me corto quase todos os dias. Tenho um filho menor de idade, então eu não posso ir em frente agora… Mas todos os segundos, todos os dias, eu penso na morte.
tanhkx: Se alguém parar de comer, em quanto tempo morrerá? Provavelmente a pessoa vai ficar cega primeiro, certo? Por causa da falta de vitamina A, eu acho.

avalanche: Isso não funciona. Você só vai acabar hospitalizado.
angrygirl13: Meu amigo acabou de tentar se enforcar. Ele estava num programa de prevenção ao suicídio e o deixaram ir ao banheiro sozinho. Mas o lugar não era alto o suficiente para arrebentar o pescoço dele.
kat: Estava postando e notei a resposta de um policial. Devo ficar preocupada se ele estiver me rastreando? Que diabos um policial está fazendo neste site? Talvez ele seja suicida também. Se ele for policial, eu gostaria que atirasse na m… da minha cara.
squidthings: Uma vez, policiais apareceram on-line e tentaram me salvar. Chamaram o 911 e a polícia apareceu na minha casa. Você precisa ter cuidado com quem fala antes de morrer.

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A filosofia e o suicídio

O que disseram grandes pensadores sobre o ato de tirar a própria vida

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ALBERT CAMUS
Para o autor de O Mito de Sísifo, o suicídio é a única questão filosófica essencial. Sua conclusão é que matar-se é negar a liberdade

Pelo menos desde a Grécia Antiga os grandes pensadores examinam o fenômeno do suicídio. Sócrates, condenado a cometer suicídio por um tribunal de Atenas, consolou seus seguidores dizendo não saber o que o esperava na morte, por isso não era possível dizer se sua sentença era uma desgraça ou uma benesse. Mas em um dos diálogos de Platão, Fedro, Sócrates condena o suicídio voluntário. Diz que não temos o direito de libertar a alma de um posto (o corpo) em que os deuses a colocaram. O pensador cristão Tomás de Aquino enumera três argumentos contra o suicídio: ele é contrário ao amor-próprio, um estado natural; é uma afronta à sociedade, da qual o indivíduo faz parte; e é uma afronta a Deus, que dá a vida e tem o direito de determinar quando ela termina.
No século XVI, o ensaísta francês Montaigne cita trechos de filósofos antigos que aprovam o suicídio. “Nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal.” A interpretação mais comum, porém, é que Montaigne ataca o medo da morte, que escraviza as pessoas, mas não chega a defender o suicídio.
São os iluministas do século XVIII que mudam o foco da questão. Ali nascia uma filosofia de valorização da liberdade, e vários pensadores, como o escocês David Hume, consideraram o suicídio uma opção individual. Na virada para o século XIX, o movimento romântico se apropria do tema. Um livro do alemão Johann von Goethe, sobre um jovem (Werther) que se mata ao concluir que jamais conquistaria seu amor, supostamente levou a uma onda de suicídios no país. A melancolia inaugurada na França pelo poeta Charles Baudelaire foi apelidada de “mal do século” e teria provocado, também, suicídios. O filósofo Arthur Schopenhauer comparou o suicídio, para alguém que sentia dor intensa, a acordar de um pesadelo.
Foi nessa época que surgiu uma nova visão. O trabalho de sociólogos como Émile Durkheim mostrou que a alienação e a falta de propósito ligadas à vida moderna incentivariam o suicídio. E o estabelecimento da psiquiatria como uma disciplina independente jogou luz em fenômenos como a melancolia, a histeria e a depressão. Cerca de 90% dos suicídios estão relacionados a problemas psiquiátricos, segundo alguns estudos. A partir daí, o suicídio passou a ser visto como fruto de uma condição psicológica e social, não mais como resultado da vontade livre de um indivíduo.
Mesmo entre os filósofos que dão ênfase ao individualismo, o suicídio ganhou forte oposição. O inglês John Stuart Mill, no século XIX, dizia que a condição essencial para a liberdade era a capacidade do indivíduo de fazer escolhas, e o suicídio acaba com a possibilidade de escolhas futuras.

Albert Camus Já no século XX, o escritor existencialista Albert Camus tratou o suicídio como “o único tema filosófico realmente sério”, no livro O Mito de Sísifo. Sísifo é um personagem da mitologia grega condenado a levar uma pedra para o alto de um morro. Toda vez que ele chega ao cume, a pedra rola para baixo de novo, e ele deve recomeçar a tarefa do zero. Camus compara essa tarefa aos sofrimentos da vida. Mas sua interpretação inovadora é que a vida não é o cumprimento de um objetivo, e sim o processo. Sísifo, para Camus, não é um condenado infeliz. É um vitorioso, realizado na concentração de sua mente e no suor proveniente de seu esforço. Para Camus, o suicídio é a negação da liberdade.

David Cohen (Redator-Chefe) e Dagomir Marquezi, na Revista Época

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Ele foi cedo demais

Nota publicada no Segundo Caderno, Zero Hora, em 28 de março de 2008:

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O disco póstumo de Vinícius Gageiro Marques, que assinava seus trabalhos com o pseudônimo artístico YOÑLU, deve chegar às lojas pela semana que vem, em lançamento nacional da gravadora Allegro. O álbum do jovem que tirou a própria vida em Porto Alegre, em julho de 2006, reúne 23 das 60 faixas que o adolescente de 16 anos deixou em seu computador - muitas delas já ouvidas na internet, espaço virtual onde Yoñlu divulgava eventualmente suas produções caseiras. Além das músicas surpreendentemente complexas para um guri, o CD é ilustrado pelos desenhos igualmente inspirados do filho do ex-secretário estadual Luiz Marques.

- Já existem duas músicas dedicadas a ele, uma de um belga, outra de um canadense, ambas com o título de Yoñlu. Corre a idéia nas comunidades que cuidam de sua memória no Orkut organizar um tributo de músicos para ele. A impressão que tenho é que nunca a morte de um jovem foi tão lamentada internacionalmente. Penso que é porque ele tem o dom de despertar bons sentimentos nas pessoas, em vida e postumamente - contou pra gente o professor universitário e secretário de Estado da Cultura no governo de Olívio Dutra.

Marques adianta que em breve o pop personalíssimo de Yoñlu ganhará lançamento internacional: a Luaka Bop, gravadora do músico David Byrne, pretende lançar em setembro lá fora um disco com 15 faixas, que vão receber um tratamento de pós-produção. A apresentação do disco será do próprio ex-líder da banda Talking Heads, que se entusiasmou com as canções do jovem gaúcho - e o repertório do CD gringo vai incluir uma versão de Yoñlu para a clássica Estrela, Estrela, de Vitor Ramil, ausente do lançamento brasileiro.

Daniel Dantas

Charge publicada no Blog do Simon e reproduzida no "Política levada a sério"

Pela gravidade do assunto, reproduzo na íntegra esse texto abaixo, postado no prestigiado blog "Balaio do Kotscho", do respeitado jornalista Ricardo Kotscho:

"Sem muito alarde, depois de semanas dedicando os espaços nobres do noticiário à discussão sobre métodos adotados pelos investigadores, hoje os jornais publicam o preço da propina paga à suposta rede de corrupção que protegia o notório banqueiro Daniel Dantas nas atividades criminosas de que é acusado: R$ 18 milhões.

Pelos bilhões envolvidos nestas atividades, sei que esta quantia é troco de táxi, mas pode explicar muita coisa estranha na cobertura do caso. Quem fez esta constatação não fui eu, mas o bravo colega Luciano Martins Costa, em seu comentário no programa de rádio do Observatório da Imprensa.

A revelação da quantia investida para conquistar os corações e as mentes de juízes, políticos e jornalistas, publicada pelo jornal “O Globo”, foi feita pelo delegado Carlos Eduardo Pelegrini Magro, um dos responsáveis pelo inquérito que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, durante reunião de três horas com a cúpula da Polícia Federal, no dia 14 de julho.

Para o delegado Magro, que diz ter apreendido na operação bilhetes e informações digitalizadas num laptop, detalhando o esquema de propina, as críticas à investigação são “uma reação do crime organizado”.  Sobre os jornalistas, segundo ele, consta no organograma: “A gente contrata o Mangabeira para chegar aos meios de comunicação”.

Na mesma linha, Amaury Portugal, presidente do sindicato dos delegados da PF paulista, disse durante a abertura do congresso nacional da categoria, em São Paulo, que o crime organizado se infiltrou em todos os poderes.

“A Polícia Federal é um dos alvos disso. Nós, que conhecemos a instituição, sabemos que o que está colocado na imprensa não procede”, afirmou Portugal à “Folha”, a respeito das suspeitas de que houve grampo ilegal contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

A reação dos delegados da Polícia Federal se deu na mesma segunda-feira em que os advogados de Daniel Dantas sofriam três derrotas na Justiça: o juiz De Sanctis foi mantido no caso pelo TRF e, além disso, foram negados dois habeas corpus que pretendiam anular a ação penal e os inquéritos policiais.

Parece que os advogados do banqueiro tentam controlar todo o processo, vetando juízes, anulando inquéritos, escolhendo políticos mais simpáticos à causa ou até indicando quais jornalistas devem ou não fazer a cobertura do caso. Podem até não conseguir, mas estão no papel deles de tentar. Resta saber como cada um cumprirá seu papel nesta história."

Tim Maia por Tim Maia: uma divertida autobiografia do grande artista

Ontem foi o "Dia Nacional da Consciência Negra". Aqui no Rio Grande do Sul, o Estado mais racista do Brasil, nem se cogita em fazer feriado nessa data. Vi uma passeata no entorno das avenidas centrais de Porto Alegre, no fim da tarde, e reclamações de que a manifestação atrapalhava o trânsito. Somos assim mesmo: filhos de colonos, sabemos que os antepassados escravizaram os negros - mas fazemos pouco para modificar a mentalidade racista aqui para que as futuras gerações convivam em harmonia com todas as raças e credos.

Capa do livro de Tim Maia Se alguém duvida do que escrevi acima, basta rever o material a respeito da brigalhada para que o regime de cotas não vigorasse entre nós. Com um dia de atraso em relação a data, esse blog homenageia a data revendo trechos da sensacional entrevista que o mitológico Tim Maia concedeu ao Jô Soares, quando o programa ainda era transmitido pelo SBT, do Sílvio Santos. É ótimo rever o fabuloso artista, sempre bem humorado, contando algumas histórias que seu amigo Nelson Motta ano passado transformou em uma espetacular biografia - "Vale Tudo - Tim Maia" - um dos livros que comprei esse ano na Feira e está sendo prazeroso conhecer um pouco mais o artista que era acusado de faltar aos compromissos mas é um dos poucos profissionais que perdeu a vida quando encontrava-se em um palco, cantando.

Com vocês, as três partes da memorável entrevista de Tim Maia a Jô Soares:

Tim Maia e Jô Soares no SBT (1): "Operei o saco, o bilau está quieto"

 

Tim Maia e Jô Soares no SBT (2): "Sou perseguido pela Rede Globo"

 

Tim Maia e Jô Soares no SBT (3): "Perdi quase R$ 500 mil em ações"

 

8 de março de 98: Tim Maia deixa o palco e morre sete dias depois

 

Oportunista, TV Globo presta sua homenagem após Tim Maia falecer

vaca no brejo

Conselhos do presidente Lula chegam tarde: o Rio Grande já vive a recessão

O presidente Lula assumiu a função de Ministro da Economia do Povo, cargo que não existe, mas precisa ser exercido em períodos de vacas magras.

"Está na hora de as pessoas aprenderem a fazer bons negócios, de comprarem o carro mais barato e a televisão mais barata". Lula aconselhou os brasileiros a enfrentar o medo do desemprego e ir às compras. Somente assim, disse, será afastado o risco de queda na produção e redução do emprego.

"Quem está endividado, tem de pagar a dívida e não fazer novas despesas", recomendou Lula. "Quem não está (endividado), pode comprar à vontade e aproveitar as oportunidades."

Lula deu a "consultoria" ao ser abordado por jornalistas, terça-feira, no Itamaraty. Ele desaconselhou a poupança neste momento, mas alertou que "nenhum ser humano pode gastar mais do que ganha". A opção de colocar o dinheiro "no colchão", avaliou, leva à redução das compras e acaba no desemprego. "O problema não é a falta de dinheiro, é o medo. As pessoas que estão trabalhando vão ficando com medo de perder o emprego. Por conta do medo do desemprego, as pessoas não fazem compras. Não fazendo compras, o que pode acontecer? O desemprego de que elas tanto têm medo", completou.

Charge de Henrique

Charge de Henrique, publicada na Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro

Certamente Lula tenta minimizar a crise, cujos resultados poderão ser mais devastadores caso tratados com antibióticos em vez de cirurgia. Significa que o próprio governo deve dar o exemplo ao enxugar alguns gastos que chegam a ser acintosos nesse período em que a crise chegou para valer, conforme se lê na capa do jornal Correio do Povo desta quinta-feira. Reproduzo na íntegra:

Correio do Povo

"Começam a ficar visíveis, com o desemprego, os efeitos da crise global no RS. Em Portão, o grupo Vulcabras/Azaléia comunicou ontem o fechamento da sua fábrica. Terça-feira, a empresa calçadista Dakota anunciou: desativa, em 5 de dezembro, a unidade de Bom Retiro do Sul, onde trabalham 320 empregados.

Em Guaíba, 700 trabalhadores de empresas terceirizadas da Aracruz perderam seus empregos – na região foram fechadas 1,5 mil vagas recentemente. Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico e Emprego, Victório Menegotto, as obras da Aracruz continuam. Mas o adiamento do projeto industrial impediu 1,3 mil contratações das empresas terceirizadas.

Em Gravataí, a Johnson Controls (exporta 80% dos seus componentes para a Renault e a Peugeot na França) demitirá 93 trabalhadores até amanhã. Lá, as demissões desde o início de outubro já chegam a 130 pessoas. O motivo é a crise na Europa com a redução das exportações. O Sindicato dos Metalúrgicos está preocupado com a fábrica da General Motors. A montadora está em férias coletivas e o indicativo é de que a situação persista em dezembro. Se isto for confirmado, o Sindicato teme demissões." Ou algo mais grave, acrescento eu.

Charge de Tacho

Para amenizar assunto tão sério e árido, finalizo com o bom humor do Tacho

Marcia Martins

O convite da jornalista Márcia Martins para o lançamento de seu livro, hoje

Recebi o simpático texto da ex-colega de ZH e titular do "Blog da Marcinha":

"Faço parte da comunidade do Orkut "Poemas à Flor da Pele", que nasceu em abril de 2006 e hoje tem mais de 1.500 integrantes, de diversas profissões e locais diferentes do País, todos com paixão pela arte de escrever.

De preferência, rabiscar poemas, juntar palavras de amor e desamor, casar rimas. E isso é feito no Orkut, através de festivais de poesias, de poemetos, de haicais, de concursos e E-books (está em elaboração o e-book de três anos da comunidade). Em 2008, decidimos ousar. Que tal sair um pouco do virtual? E o resultado é o livro em formato de poket que lançaremos, em Porto Alegre, no dia 19 de novembro, a partir das 19 horas, na Palavraria-Livraria-Café.

Por se tratar de um livro com quase 70 poetas, o lançamento é feito conforme a disponibilidade de locais, grupos e recursos. Aqui, em POA, eu, que escrevo e assino o convite (jornalista, poeta, mãe, mulher, feminina e feminista), a administradora da comunidade, Soninha Porto (uma batalhadora em prol da poesia), Ademir Bacca (organizador do XVI Congresso Brasileiro de Poesias de Bento), Claudete Silveira (professora de Cachoeira do Sul) e Jair Pauletto, já com livros individuais publicados, resolvemos lançá-lo agora na quarta-feira.

Sabe o que isso significa? Que gostaríamos muito da presença de vocês lá. Para quê? Ah, fala sério, não é só pra buscar nossa assinatura. Mas pra levar um carinho e incentivar a cultura. O que é isso? Um convite mais afetuoso. Não é um release. Mas se quiser, posso mandar.

Qual a sua parte? Ir prestigiar, divulgar, passar adiante, comentar, colocar no seu blog, no site, no jornal, mandar parar as máquinas…
Abração

Márcia Fernanda Peçanha Martins

Mulher, mãe orgulhosa, amiga, jornalista, poeta das rimas da vida."

Foto: André Feltes/DG

Duas alegrias: abraçar Eliane Brum e receber seu "O Olho da Rua" autografado

Tudo o que se escreve a respeito da qualidade do texto da jornalista gaúcha Eliane Cristina Brum - e isso já ocorre há 20 anos - é pouco para louvar toda a sua sensibilidade com as reportagens que merecem ficar perpetuadas. Assim foi quando lançou a coletânea de matérias que fez quando atuava em Zero Hora "A vida que ninguém vê", Prêmio Jabuti de 2007 na categoria reportagem.

Elianelivro No último sábado da Feira, tive o privilégio de revê-la durante a sua concorrida sessão de autógrafos, quando lançou as suas melhores reportagens na Revista Época: "O Olho da Rua - Uma Repórter em Busca da Literatura na Vida Real". Vale a pena ler a matéria publicada no Portal Imprensa (clicar no título).

"A Casa de Velhos" quando foi publicada, bateu fundo em todos que a leram. Ela está lá, revivida, a partir da página 82. Ao final, Eliane escreve, na página 124: "A vida inteira espremida numa mala de mão" é minha frase preferida entre todas que escrevi nesta vida de jornalista. É uma imagem simples - e exata. Ela contém a reportagem inteira, resume uma história que precisou de quase 10 mil palavras para ser contada. Essa frase espreme vinte anos de reportagem numa mala da mão. Mas também um pedido de desculpas. A Casa de Velhos é uma das minhas reportagens preferidas - e é a que mais me dói. Ainda hoje me dói muito. Porque errei feio", confessa Eliane. Se você quer saber, compre o novo lançamento da melhor repórter do Brasil.

Enquanto escrevia uma linda dedicatória, em que assinala que "a vi crescer" naquele distante 1988, quando iniciou na ZH, apareceu o "arroz de festa" de todos os eventos, o multimídia David Coimbra. Ele e Eliane são duas jóias raras dessa geração e hoje brilham, cada um na sua. Conviveram algum tempo juntos e certamente cada um transferiu ao outro o talento que ambos têm de sobra.

Para minha sorte, o chefe de Fotografia do "Diário Gaúcho", André Feltes, meu querido amigo, teve o reflexo de registrar esse flagrante que ficará na história.

Como diria o sábio Flávio Dutra numa de suas frases favoritas: "Que momento!"

Foto: André Feltes/DG

Eliane Brum interrompe a sessão de autógrafos para recepcionar David Coimbra

Almir Sater toca "Tocando em frente", canção que é um hino à vida

"Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz"

No trecho final da letra dessa belíssima música composta por Almir Sater e Renato Teixeira, tento explicar um pouco dos meus sentimentos àqueles que volta e meia dão o ar da graça neste blog. A falta de perspectiva, os sonhos não realizados, sentir-se impotente diante de tantos moinhos gigantescos à frente, me tornam mais idiota que Dom Quixote e mais tolo que Sancho Pança.

Há muitos anos aprendi que ao longo da vida os verdadeiros amigos se contam nos dedos de uma só mão. Esses dias constatei que esse número é excessivo.

Lembro de tantas vezes em que tive o chamado poder de comando em várias situações. Como vivia cercado. Triste saber tarde demais o quanto as pessoas se prostituem moralmente para ocupar espaços. E o quase desprezo ao ver seu descarte ao mesmo tempo em que abanam o rabo atrás do flautista de plantão.

Mas um dia chegará - antes tarde do que nunca - que a vida lhes ensinará a maior lição: fora do amor verdadeiro, somos apenas poeira. Que o vento leva.

Foto: Luiz Avila

Lambe-lambe na Feira: estátuas de Drummond e Quintana ilustram suas fotos

Recebi do grande amigo e retratista Luiz Avila a foto acima e o texto abaixo:

"Maneca, direto da Feira do Livro, local onde se entra respirando letras e se sai tossindo palavras. Andando em suas ruas encontrei o Freitas, Farceri Freitas,  lambe-lambe (fotógrafo ambulante que fica geralmente postado em praças ou parques públicos). Ele  contou que está nesta lida há uns 38 anos (isso só na Praça XV, lá ele ficou direto por 30 anos e hoje vai só aos sábados).

Também está no Brique da Redenção aos domingos (e lá se vão 15 anos), e já acumula sete anos de Feira, onde trabalha todos os dias. Freitas me contou um pouco de sua história, que começou com o pai dele; que nos anos 70 eram uns 25 lambe-lambes na Praça XV, e que eles trabalhavam com um caixa único; no final do dia, dividiam a grana. E que faziam em torno de 60 fotografias por dia (postais, 3x4, e demais fotos pra documento).

Nos anos 90 restavam somente uns 15, e atualmente só tem ele. Disse também que hoje faz em média, na Feira do Livro umas 10 fotos/dia (10 reais, com direito a dois postais). Fatura uma média de R$ 500 por mês.

Outra curiosidade, a maior parte dos clientes são jovens. Alegam que, mesmo na era digital, querem uma lembrança fotográfica dos tempos de seus avós."

Michelangelo Pietá

Para ilustrar: a "Pietá", estátua que Michelangelo finalizou jovem, com 23 anos

O mais lido colunista do Estado, Paulo Sant’Ana, volta e meia publica na íntegra o que recebe. Graças a isto, já tivemos relatos a respeito de qualquer assunto.

Poucos foram tão comoventes como a carta que ele reproduz hoje, assinada por Themis Krumenauer: "Quem está matando nossos filhos?", ela questiona.

"Ver aqueles jovens chorarem feito meninos no velório de seu amigo! Ou meu filho, após saber do ocorrido, ligar de cinco em cinco minutos, pedindo para que o celular ficasse ligado ao lado do amigo, pois ele ainda tinha muitas coisas a dizer."

Por solidariedade, no mínimo, reflitam sobre o texto de "Chorando os mortos".

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Essa é de doer pra qualquer coração gremista, tão sofrido este ano. Em um exaustivo levantamento de todos os lances em que a arbitragem decidiu, o site Globoesporte.com afirma, como manchete: “Num Brasileirão sem erros de arbitragem, Grêmio assumiria a liderança da tabela” (clique aqui e leia a matéria completa). O mais ilustrativo é a comparação de como se encontra a atual classificação, e como deveria ser, sem os erros que foram constatados. Por exemplo,  hoje o São Paulo tem 65 pontos e o Grêmio 63. Na simulação em que foram retirados os pontos obtidos por meio do apito safado, o Grêmio seria líder com 62 pontos e o São Paulo cairia para terceiro, com 59 pontos, seis a menos.

Em 29 jogos os juízes influenciaram no placar. Os critérios foram os seguintes:
- Pênalti mal marcado: um gol a menos para o time beneficiado, caso a cobrança tenha sido convertida.
- Pênalti não marcado: um gol a mais para o time prejudicado.
- Gol mal anulado: um gol a mais para o time prejudicado.
- Gol que deveria ser anulado: um gol a menos para o time beneficiado.
- Lances que não envolvem gol, como expulsão, não são considerados.
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Como o poder sempre está ao lado dos grandes do Rio e São Paulo, essa reportagem-denúncia, a quatro rodadas do fim do campeonato de 2008, serve de alerta para maior vigilância, desde a escalação dos árbitros, a fim de evitar que o Grêmio seja vítima de roubo semelhante ao que ocorreu com o Inter em 2005. Os colorados só perderam o título para o Corínthians quando 11 jogos que Edilson Pereira de Carvalho apitou foram anulados por suspeita de fraude. O presidente do Corínthians na época, Alberto Dualib, disse ao deixar o cargo esse ano, que o Inter foi o “campeão de fato e de direito de 2005″ (leia aqui).

Inacreditável, mas a história poderá se repetir no país-sede da Copa de 2014.

A música mais conhecida de Miriam Makeba, a maior cantora africana

Charge de Amarildo

Charge de autoria de Amarildo, para o jornal “Gazeta”, do Espírito Santo

A incerteza nos mercados financeiros está longe do fim e o pior pode estar ainda para vir. A convicção é do especialista norte-americano que integrou  o governo Clinton, Jeffrey Garten. Ele também foi administrador do banco Lehman Brothers. A previsão foi feita num fórum sobre energia, em Lisboa.

Jeffrey Garten, que passou pelas administrações Nixon, Ford e Carter, foi sub-secretário do comércio internacional com Clinton. Hoje, professor na Universidade de Yale, vê o mundo a caminho de uma recessão global. Ele acrescenta mais informações assustadoras: a economia espanhola está à beira da recessão, a confiança dos consumidores na Inglaterra e Estados Unidos está em queda e “a reunião do G20 não vai servir para nada”.

Sinfronio

Charge de Sinfrônio, feita para o jornal “Diário do Nordeste”, de Fortaleza

Não foi o que aconteceu. Depois de três dias de negociações intensas, o G20,  formado por grandes países emergentes, propôs uma reforma profunda, tanto no Fundo Monetário Internacional como no Banco Mundial. (leia aqui)

“O desafio-chave é resolver a crise financeira de uma maneira duradoura e suavizar o impacto da crise na atividade econômica global por meio de medidas abrangentes, coordenadas e no momento adequado”, afirma o comunicado final do encontro. A seguir, os principais pontos do comunicado divulgado ao final:

- O G20 precisa definir medidas para restaurar o crescimento e a estabilidade financeira;

- O G20 deve desempenhar papel-chave na garantia da estabilidade econômica e financeira global;

- O G20 tomará ação conjunta para reduzir a volatilidade dos mercados, restaurar os níveis normais de crédito;

- O G20 reconhece a necessidade de melhorar supervisão e governança das instituições financeiras;

- O G20 deve assegurar formas para melhorar a proteção de instituições de importância sistêmica;

- O G20 reconhece necessidade de expandir fórum sobre estabilidade financeira para incluir economias emergentes;

- O G20 pede que todos países resistam ao protecionismo, reitera apoio para rápida conclusão da Rodada de Doha;

- Países com desvalorização cambial e inflação precisam de monitoramento atento das autoridades monetárias;

- É preciso uma reforma abrangente das instituições de Bretton Woods, dando mais voz aos países emergentes.

Tudo muito oportuno. Mas será que os integrantes do G8 vão descer do salto?

Tacho

Charge de autoria do amigo Tacho, publicada em seu blog Planetacho (27/10)

Foto Cristiano GuerraO Grêmio vinha caindo literalmente tabela abaixo no campeonato brasileiro quando alguém teve uma idéia que revelou-se de grande eficácia: levar uma camisa tricolor para o presidente da República, cujos milagres são incontáveis. O pretexto da visita foi apresentar o projeto da futura Arena gremista.

Paulo Odone entregou a camisa do Grêmio à Lula e já aconteceu um milagre

Tcheco Mas bastou Lula receber em mãos a camisa 13, com seu nome gravado e o Grêmio recebeu a primeira graça: ganhou por 1x0 do Palmeiras no Parque Antártica, com um gol ‘espírita’, de Tcheco. Com isto, volta à disputa do título, pois ficou a dois pontos do São Paulo. Tudo ainda pode acontecer nas quatro rodadas finais, mas já temos a benção do futuro santo.

Tcheco vibra depois do seu gol salvador

Milagres, como se sabe, acontecem; apenas, às vezes, se desconhece o autor.

Esse já fica documentado para quando o Vaticano encaminhar sua beatificação.

Milagres acontecem: veja o gol de Tcheco quando tentou cruzar para a área

Michael Stipe e R.E.M. em "Losing My Religion": dupla comemoração

Ver o lendário Michael Stipe cantar - e festejar a vitória de Barack Obama - ali pertinho da índia Obirici, no Estádio Passo d’Areia, valeu por tudo em 2008.

REM ingresso

O ingresso inteiro para o show do R.E.M. em Porto Alegre: festa para Obama

Já estava entusiasmado para acompanhar o show de Michael Stipe, por seu engajamento na campanha que elegeu Obama presidente dos Estados Unidos. Fui convencido pelo texto do Teddy Corrêa em Zero Hora de quinta (abaixo):

Um fã no palco

Por Teddy Corrêa *

Minha descoberta do R.E.M. foi com o disco Life’s Rich Pageant, surrupiado, com o devido consentimento, da casa de um amigo que “ganhou e não gostou”. Caramba! Eu, ao contrário, ouvi e senti como se tivesse sofrido uma espécie de atropelamento. Depois disso, saí à cata do passado da banda e deparei com seus dois primeiros discos. Tive, então, a certeza de que havia encontrado uma de minhas bandas prediletas… para o resto da vida.
Minha admiração pelos caras, de lá para cá, só cresceu. Uma trajetória artística de uma coerência irreparável. Atitude, conteúdo e uma inesgotável capacidade de criar canções de uma beleza que emocionam profundamente.
A verdade é que, quando começo a escrever sobre o R.E.M., fico sem ter muito o que dizer, pois sou, confesso, um fã incondicional. Daqueles que considera que a banda já está acima do bem e do mal.
Um dos maiores elogios que o Nenhum de Nós já recebeu veio de Zeca Camargo, um jornalista realmente respeitável. Quando ganhamos, em 1992, o VMA Brasil e fomos representar o país em Los Angeles, mais de uma vez o Zeca nos apresentou para o pessoal da MTV americana como sendo o “R.E.M. brasileiro”!
A verdade é que a banda se transformou em um norte para o Nenhum. Um nível de qualidade e talento a ser atingido. Um exemplo a ser seguido. Por exemplo, para mim, Michael Stipe é o melhor frontman do rock nos últimos 20 anos.
Agora, imaginem o que passa por nossa cabeça com a proximidade do show. Assistir apenas já nos deixaria em alto grau de excitação. Fazer a abertura? Uau! Uma honra sem igual! Confesso que procurei não pensar muito nisso em todo esse tempo que antecedeu o dia R.E.M. em POA. Era a única maneira de levar minha vida dentro de uma certa normalidade… Quando subir ao palco… bem, daí então, minha vida nunca mais será normal, pois – não sei se vou acreditar – fiz a abertura do R.E.M.!

* Teddy Corrêa é vocalista do "Nenhum de Nós"

Foto: Tadeu Vilani

Michael Stipe exibe cartaz sobre eleição de Barack Obama. Foto Tadeu Vilani/ZH

O show foi tudo o que se poderia esperar de uma grande banda para um público civilizado e tolerante. A ponto de serem realizadas duas festas simultâneas, que assisti ao lado do jornalista Milton Simas: enquanto os colorados deliravam com a vitória sobre o Boca Juniors, Michael Stipe exibia orgulhoso a faixa que dizia: "Parabéns povo da América por escolher Obama".

Quem melhor descreveu o show foi o repórter de Zero Hora, Gabriel Brust, na página 4 do Segundo Caderno deste sábado, 8 de novembro, matéria intitulada "A banda mais gente boa".

O título é um achado, o texto perfeito, ilustrado pela foto do Tadeu Vilani. E o show foi daqueles que - só quem viu, sabe - ficará na história de Porto Alegre.

"Everybody Hurts", um dos hits executados no "Zequinha Stadium"

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